Mais amor, por favor

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Rosato comemora a aprovação do PL 399/2015, mas afirma que o projeto pode encontrar dificuldades nas esferas mais altas do pode (Foto: Arquivo Pessoal)

Coluna de Rodolfo Rosato*

Desde o início de nossas vidas fomos doutrinados a pensar de forma maniqueísta, ensinados a dividir tudo entre o bem e mal, o feio e o belo, o seguro do perigoso. Porém, com a experiência da vida, aprendemos (nem todos) que tudo é muito mais complexo, amplo e enormemente mais subjetivo. Muitos de nós aprendemos que todas as histórias tem três lados, o lado de um, o do outro, e a verdade, que normalmente está a meio caminho das duas histórias. 

Atualmente com as discussões da cannabis no brasil, essa doutrina infantil e atrasada não só continua a permear o debate e o inconsciente da população, políticos, ativistas e empresários como ainda dá combustível a polarização e ao radicalismo que tomaram conta do país desde que fomos propositalmente divididos entre o “nós” e o “eles”. Nesses tempos absurdos às discussões sobre a legalização do mercado de cannabis já descambaram até para a violência física, sendo cada vez mais radicalizado e polarizado, transformando o sério e importante debate em uma parva “guerra de torcidas”. 

Faz-se hoje, em ambos os lados, o mesmo que diversos governos fascistas e demagogos já fizeram ao longo da história. Cria-se um efeito “bicho papão” do outro lado para assustar e mobilizar os inocentes contra um imaginário “inimigo”. 

“All we need is love” (John Lennon) 

Precisamos esquecer posições políticas (ridículas, pequenas e baratas) e radicalismos pessoais.

O que precisamos realmente colocar agora em discussão é a volta do amor, do respeito, da empatia e da compaixão. Precisamos esquecer posições políticas (ridículas, pequenas e baratas) e radicalismos pessoais. Agora precisamos redescobrir simplesmente como amar. 

Políticos precisam reaprender a amar as pessoas. 

Os empresários da cannabis precisam aprender a amar os ativistas que deram a cara a tapa e abriram as discussões aqui no Brasil – e também a planta de onde tiram sustento! E meus amigos ativistas precisam deixar de lado o radicalismo e aprender a amar todo o resto, principalmente uns aos outros. 

Vamos todos praticar o simples mas difícil exercício da empatia. Nos colocar no lugar do outro sempre abre toda uma nova perspectiva, expande nossos horizontes, amplia nossa consciência e abre todo um novo caminho para o amor. 

Enquanto continuarmos a enxergar e dividir todos entre “vilões” e “heróis”, vamos seguir dominados pela doutrina da opressão, da divisão e do preconceito; e nunca avançaremos como sociedade. 

Os falsos heróis e a claque dos fantoches acéfalos. 

Agora estamos sendo inundados por uma horda de falsos heróis, todos eles/as “ex-alguma coisa” (não vou citar exemplos, mas quem acompanha o assunto ou frequenta eventos cannabicos irá saber). Esses falsos heróis, que hoje se dizem extremamente favoráveis à cannabis medicinal, enquanto estavam com o poder da caneta na mão não moveram uma palha sequer para avançarmos no assunto. Sinto náuseas ao ouvir essas pessoas agora se passando por “heróis-defensores” da cannabis e incrédulo de ver os ingênuos de plantão aplaudirem e adorarem esses falsos heróis de discursos vazios e mentirosos. 

Devemos sim comemorar a pequena vitória de ontem (08/06) na PL 399/2015, e lembrar no futuro quem realmente defendeu a cannabis nesses tempos sombrios, mas sabemos que as lutas mais duras ainda serão travadas nas esferas mais altas do poder. Se no “baixo clero” já se esvaíram seis anos, a matéria agora precisa passar pelo “conselho de cardeais”. E se por algum milagre de “Jah” passar por mais essa etapa não adianta comemorar muito, pois o próprio “papa” já disse que vai vetar a lei. Mas claro, em alguns anos quando todas essas pessoas passarem a ser “ex-alguma coisa”, aí sim serão totalmente favoráveis à cannabis medicinal, e serão aplaudidos e endeusados pela mesma claque de fantoches acéfalos. 

Nem tanto ao mar nem tanto à terra. 

Tirando aqueles que são claramente patrocinados por grupos de interesse, todos os demais envolvidos no tema cannabis têm seus próprios pontos de vista válidos. Afinal, devemos sempre entender o contexto com que nós e os outros enxergamos o mundo a partir de como fomos ensinados e doutrinados por toda uma vida. Muitos de nós simplesmente não conseguimos nos libertar das amarras que nos foram impostas. Sendo assim, não devemos nos cegar a verdade do outro e sim exercer a empatia e a compaixão e buscar sempre o caminho do amor. 

Em um assunto tão latente e importante como a cannabis, a divisão crescente do país inflamada nos últimos anos pelo radicalismo político de ambos os lados gerou esse enorme balaio de gatos, onde todos gritam mas ninguém se entende. 

A babilônia agora é aqui. Por isso peço a todos apenas mais amor, por favor.

*Rodolfo Rosato é empresário, ativista canábico, fundador e CVO da Terracannabis Medicinal e colunista do Sechat

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e de responsabilidade de seus autores.

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