Abertura do Congresso de Cannabis Medicinal reúne lideranças e aquece debate sobre o futuro do setor

Evento em São Paulo destacou os avanços da cannabis medicinal no Brasil e os desafios para consolidar uma legislação nacional e ampliar o mercado.

Publicada em 21/05/2026

Debates sobre investimentos, indústria, associações e segurança jurídica marcaram a manhã de abertura do Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal 2026 | Sechat

Debates sobre investimentos, indústria, associações e segurança jurídica marcaram a manhã de abertura do Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal 2026 | Sechat

O primeiro dia do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal foi bem produtivo no Transamérica Expo Center, em São Paulo. A abertura oficial do módulo Business reuniu autoridades públicas, representantes do setor produtivo, especialistas e lideranças históricas da pauta canábica no país.

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Dr. Pedro Pierro, diretor científico do Sechat foi o mediador das palestras do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal 2026 | Sechat

O painel de abertura colocou no centro do debate os caminhos da regulação, da produção nacional e das oportunidades econômicas da cannabis medicinal no Brasil.

Com o tema “A Nova Fase da Cannabis no Brasil – Regulação, Produção e Mercado”, participaram da mesa o deputado estadual Caio França, o deputado federal Paulo Teixeira, o deputado federal João Carlos Bacelar Batista e José Ribeiro dos Santos Júnior.

O encontro abriu oficialmente a programação do congresso, que chega à sua quinta edição consolidado como um dos principais fóruns científicos e de negócios da cannabis medicinal e do cânhamo industrial da América Latina.

Segurança jurídica e o papel do Congresso

Durante sua fala, Caio França destacou a importância de avançar para uma legislação federal que dê maior estabilidade ao setor, reduzindo a dependência exclusiva das regulamentações sanitárias. “Eu não tenho dúvida, acho que é importante também esclarecer que uma lei federal tem muito mais peso do que uma regulamentação da Anvisa, que está sempre sujeita a interferências do governo, etc. Então, acho que para toda a cadeia produtiva, seja ela qual aspecto você quiser observar, é muito melhor ter uma lei federal do que ter uma regulamentação.”

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O deputado estadual Caio França e o ministro Paulo Teixeira participaram da abertura oficial do módulo Business durante o primeiro dia do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal 2026, em São Paulo | Foto: Sechat

O parlamentar também apontou que a ausência histórica de avanços legislativos abriu espaço para que associações, advogados e empresas ocupassem o vácuo regulatório deixado pelo Congresso Nacional. “Acontece que, como o nosso Congresso tem todos esses embaraços ao longo do tempo, os advogados, as associações, as empresas foram ocupando esse vácuo deixado pelo legislativo.”

A pressão dos pacientes e os primeiros movimentos regulatórios

João Carlos Bacelar relembrou a mobilização social que antecedeu as primeiras regulamentações da cannabis medicinal no país. Segundo ele, a pressão de pacientes e familiares foi determinante para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária desse os primeiros passos regulatórios ainda em 2015. “A mobilização dos pacientes, a necessidade da regulação levou a Anvisa, em 2015, a fazer o primeiro movimento regulatório.”

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Bacelar também resgatou um episódio pouco lembrado da história legislativa da cannabis no Brasil: a apresentação, em 2014, de um projeto de iniciativa popular no Senado Federal defendendo a regulamentação da cannabis medicinal, do cânhamo industrial e também do uso adulto. “Em 2014, com cerca de 40 mil assinaturas, havia já no Senado Federal um projeto de lei de iniciativa popular regulamentando a cannabis medicinal, o cânhamo industrial e o uso adulto ou recreativo da cannabis.”

Já o deputado Paulo Teixeira fez um discurso marcado por críticas aos retrocessos enfrentados pelo setor nos últimos anos e destacou episódios de censura e perseguição institucional às associações de pacientes. “A menos de um ano, tiraram todos os perfis do Instagram de todas as associações que podiam falar de cannabis no Brasil.”

Ao longo da apresentação, Teixera relembrou ainda a atuação conjunta com Bacelar na defesa da regulamentação da cannabis medicinal no país.

Investimento, tecnologia e escalabilidade no radar do mercado

A programação do módulo Business Cannabis também trouxe debates voltados ao crescimento econômico do setor, reunindo empresários, investidores e executivos da cadeia canábica. Entre os destaques do primeiro dia foi a fala de Guillermo Delmonte, durante a palestra “Oportunidades na Cadeia da Cannabis: onde Investir, onde Escalar e onde o Brasil Pode Liderar”.

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Palestras do CBCM 2026 lotaram o Transamérica Expo Center nesta quinta | Sechat

Delmonte afirmou que o mercado brasileiro já deixou de ser apenas uma promessa e se consolidou como uma realidade no cenário internacional da cannabis medicinal. “Nós achamos que hoje em dia é o momento aqui no Brasil. O Brasil já é uma realidade no mercado de cannabis medicinal. Até agora sempre falávamos do Brasil como um mercado futuro, que ia se desenvolver. Hoje, a projeção para este ano é de 206 milhões de dólares, já tem mais de 1 milhão de pacientes, mais de 60 mil médicos prescritores e mais de 500 marcas internacionais atuando no Brasil.”

Segundo o executivo, os principais focos de investimento atualmente estão concentrados no acesso dos pacientes, na distribuição, na estrutura farmacêutica e no uso de tecnologias aplicadas ao acompanhamento médico. “Aqui no Brasil, a parte da cadeia que tem mais valor para investimento é principalmente o acesso, a distribuição e também a capacidade farmacêutica. Estamos focando na importação, distribuição do produto, no ecossistema médico, na tecnologia aplicada ao acompanhamento do paciente e também em pesquisa e desenvolvimento.”

Ao comentar sobre o evento, mesmo como a Cannabis Fair, o executivo ressaltou a evolução da feira ao longo dos últimos anos e a importância do congresso para compreender o amadurecimento do mercado brasileiro. “Eu adoro esta feira. Para mim, esta já é a quinta edição que acompanho. Aqui você consegue ver, pelos estandes, o crescimento do setor e onde está o foco do Brasil, não somente nos empresários, mas também nos médicos e pacientes. A feira é a melhor forma de entender a realidade do mercado brasileiro.”

Mercado, inovação e protagonismo brasileiro

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Público presente acompanhou o primeiro dia do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal | Foto: Sechat

Ao longo do primeiro dia, os participantes acompanharam debates sobre expansão de negócios, convivência entre cultivo associativo, manipulação farmacêutica e indústria, oportunidades de investimento, dados do mercado nacional e internacional, além dos desafios para o Brasil se tornar protagonista global da economia canábica.

Realizado entre os dias 21 e 23 de maio, o congresso integra diferentes áreas do ecossistema canábico, incluindo medicina, odontologia, veterinária, indústria farmacêutica, agronegócio e tecnologia.