Venda de cannabis no Uruguai bate recorde e cresce uma tonelada em 2025
Impulsionada pela variante Épsilon, a venda de cannabis nas farmácias atinge marca histórica com alta preferência dos consumidores por maior teor de THC
Publicada em 20/01/2026

Segundo dados do Instituto de Regulação e Controle da Cannabis (IRCCA), o crescimento foi impulsionado majoritariamente pela alta demanda da variante Épsilon, contendo alto THC. Imagem: Canva Pro
As vendas de cannabis nas farmácias licenciadas do Uruguai bateram recorde histórico. O volume comercializado superou em uma tonelada os registros dos anos anteriores, marcando um novo patamar para o setor.
Segundo dados do Instituto de Regulação e Controle da Cannabis (IRCCA), divulgados pelo El País, o crescimento foi impulsionado majoritariamente pela alta demanda da variante Épsilon. Esta é a opção mais potente disponível atualmente no mercado regulado.
Ao todo, os usuários cadastrados adquiriram 4.290 quilos da substância no último ano. Esse número ultrapassa os registros de 2024, que somaram 3.207 kg, e de 2023, com 3.254 kg.

Produção acompanha a venda de cannabis
Este volume de vendas coincide com um recorde na produção nacional. O cultivo é realizado por empresas autorizadas em terrenos protegidos na região de Libertad, em San José.
A colheita das quatro variedades disponíveis (Alfa, Beta, Gama e Épsilon) totalizou 4.658 quilos em 2025. Este é o maior volume já produzido desde o início do sistema, em 2017. O dado supera significativamente a média histórica de 2.000 quilos observada antes de 2022.
Preferência por THC impulsiona a venda de cannabis
A dinâmica do mercado foi definida pela concentração de Tetrahidrocanabinol (THC), o principal componente psicoativo da planta. A variante Épsilon, que possui um teor de THC de até 20%, liderou a preferência.
Esta variedade representou sozinha 75% do total da venda de cannabis, com aproximadamente 3.250 quilos comercializados. De acordo com informações locais, os estoques desta variedade costumam esgotar quase imediatamente após a reposição nas prateleiras.
Em contrapartida, as variantes com menor potência tiveram saída reduzida:
- Gama (THC $\le$ 15%): 670 kg vendidos;
- Beta (THC $\le$ 9%): 210 kg vendidos;
- Alfa (THC $\le$ 9%): 160 kg vendidos.
Fontes do IRCCA afirmaram que a produção das variantes mais leves será mantida, mesmo representando apenas 4% do comércio. O objetivo é atender ao segmento de público que prefere um efeito psicoativo menos intenso.
Expansão da rede e perfil do consumidor
A infraestrutura de acesso também foi ampliada para suportar a venda de cannabis. O número de farmácias habilitadas subiu de 40 para 55 estabelecimentos em 2025.
As unidades estão distribuídas em 13 dos 19 departamentos do país. Há uma maior concentração na capital, Montevidéu (21), seguida por Canelones (9) e Maldonado (7).
O cadastro de consumidores seguiu a tendência de alta, encerrando o ano com 83.567 usuários registrados. Isso representa um acréscimo de cerca de 9.000 pessoas em relação ao ano anterior. O perfil demográfico predominante manteve-se estável:
- Gênero: 64% homens.
- Faixa etária: 53% entre 26 e 50 anos; jovens adultos (18-25) representam 16% e maiores de 60 anos, 7%.
Clubes e autocultivo além da venda de cannabis
Além das farmácias, as outras vias legais de acesso apresentaram comportamentos distintos. Os clubes de membros registraram crescimento tanto em número de entidades, subindo de 460 para 557, quanto em associados.
Ao todo, são 19.589 participantes nesta modalidade. A produção deste setor específico atingiu o recorde de 5.801 quilos.
Já o autocultivo apresentou uma queda oficial nos registros, somando 10.392 inscritos. No entanto, o IRCCA estima que o número real de cultivadores ativos gire em torno de 13.000, considerando a continuidade da atividade após a expiração do registro.
Fiscalização e contexto do consumo da venda de cannabis
O aumento da atividade e da venda de cannabis no setor foi acompanhado por um endurecimento na fiscalização. O IRCCA realizou 1.798 inspeções em 2025, o maior número da história.
Essas ações resultaram em 92 processos sancionatórios. As punições foram motivadas principalmente por discrepâncias de estoque e problemas de rastreabilidade do produto.
Quanto ao impacto na saúde pública, o Observatório Uruguaio de Drogas (OUD) indica que o mercado regulado atinge hoje 40% dos consumidores.
Apesar do aumento no acesso, dados de 2024 mostram que o consumo nos últimos 12 meses caiu ligeiramente para 12,3% da população. Isso equivale a cerca de 227.000 pessoas.
Contudo, o uso problemático subiu para 16,9%, a maior taxa da série histórica. O órgão reforça que o aumento das vendas de cannabis no meio legal não traduz necessariamente uma alta no consumo total, visto que supre parte da demanda do mercado paralelo.
Com informações de El Pais



