Vai-Vai leva cânhamo para o Carnaval de SP
Parceria com a Velha Guarda da Vai-Vai destaca sustentabilidade, inovação têxtil e cultura popular no Carnaval de São Paulo
Publicada em 13/02/2026

Velha Guarda da Vai-Vai usa lenços produzidos em fibra de cânhamo nos ensaios para o Carnaval de São Paulo.
A Velha Guarda da Escola de Samba Vai-Vai participa do desfile da escola nesta sexta-feira, 13 de fevereiro, no Carnaval de São Paulo. Em 2026, a Velha Guarda firmou uma parceria com a Sechat e a Ayraa para divulgar a mensagem “Vai de Cânhamo”, iniciativa apresentada durante ensaios técnicos e ensaios de quadra — e que não integra o desfile oficial na avenida.
A tradição do samba ganha, assim, um novo parceiro de inovação e sustentabilidade. A proposta busca valorizar o cânhamo como fibra ancestral, destacar seu potencial na inovação têxtil e contribuir para a quebra de preconceitos históricos associados à planta, por meio da informação e da cultura.

Os lenços confeccionados com tecido de cânhamo foram desenvolvidos para uso nos ensaios, simbolizando a parceria entre a Velha Guarda da Vai-Vai, a Sechat e a Ayraa. A ação reforça a escola como parceira na divulgação de informação qualificada sobre a planta, ampliando o debate de forma responsável dentro do ambiente cultural.
A Velha Guarda da Escola de Samba Vai-Vai utiliza uniformes e lenços confeccionados com tecido de cânhamo durante ensaio no Sambódromo do Anhembi e demais atividades. A iniciativa divulga a parceria com a Sechat e a Ayraa e reforça a mensagem “Vai de Cânhamo”, destacando sustentabilidade e inovação têxtil.
O tema dialoga diretamente com os pilares históricos da Vai-Vai — resistência cultural, representatividade e inovação. Assim como o samba enfrentou marginalização até se consolidar como patrimônio cultural brasileiro, o cânhamo também carrega uma trajetória marcada por estigmas que vêm sendo ressignificados à luz da ciência e do desenvolvimento sustentável.
Segundo o neurocirurgião e diretor científico da Sechat, Pedro Pierro, a cannabis é uma planta polivalente — assim como o tecido de cânhamo apresentado — e precisa ser compreendida para além do uso medicinal, com potencial também industrial e sustentável.
“E, nesse contexto, para desmistificar, nada melhor do que uma festa popular e folclórica brasileira como o Carnaval para mostrar que a maconha, ou o cânhamo, ou a cannabis, não é apenas social nem somente medicinal — ela é muito mais do que isso.”
De acordo com o médico, ampliar essa discussão dentro de um dos maiores símbolos culturais do país é uma forma estratégica de aproximar a informação da população de maneira acessível e democrática.

Com a parceria com a Velha Guarda, Pedro Pierro e a farmacêutica Margarete Akemi Kishi irão realizar palestras e seminários voltados à conscientização sobre o uso medicinal da cannabis, convidando escolas coirmãs e representantes da comunidade do samba a participarem dos encontros. A proposta é levar conhecimento técnico e científico, contribuindo para a redução do estigma e para a ampliação do debate responsável sobre a cannabis medicinal.
O CEO da Ayraa, Marcelo Sertório Fernandes, também destacou a importância da iniciativa para o setor têxtil sustentável. “O Carnaval é uma vitrine global da criatividade e cultura brasileira. Levar o cânhamo para a maior festa do mundo é um marco importante e nos enche de orgulho, pois é mais um passo que damos para recolocar o cânhamo como protagonista entre as fibras naturais.”
Ele ressaltou que a parceria construída com a Vai-Vai demonstra como tradição e inovação podem caminhar juntas, conectando indústria, ciência e cultura popular.
Integrante da Velha Guarda e vice-presidente do grupo, Júlia Bernard Ribeiro, conhecida como Bepa, de 69 anos, representa essa conexão entre memória e contemporaneidade. Parte viva da história do samba paulistano, ela destaca o significado da ação: “O samba sempre foi resistência. A gente viu muita coisa mudar ao longo dos anos. Se é para falar de algo que ajuda o planeta e ainda carrega história, o samba também pode levantar essa bandeira.”
Bepa reforça ainda o compromisso cultural da escola: “A Vai-Vai sempre esteve ligada às transformações da sociedade. A gente canta o que vive, o que sente e o que acredita. Sustentabilidade também é cultura.”
Nos ensaios, o lenço de cânhamo simboliza não apenas um adorno, mas uma mensagem. A parceria reforça que tradição e inovação podem coexistir e que o Carnaval também é espaço para diálogo, informação e evolução social — mesmo quando a mensagem não está oficialmente na avenida, mas presente na construção cultural que antecede o desfile.



