Isabel Veloso morre aos 19 anos; jovem que relatou ao Sechat o uso da cannabis em cuidados paliativos deixa legado de coragem
Influenciadora paranaense enfrentava um linfoma de Hodgkin em estágio avançado e falou ao Sechat, em 2024, sobre como a cannabis ajudou no controle da dor, da ansiedade e na qualidade de vida
Publicada em 11/01/2026

A influenciadora digital Isabel Veloso morreu neste sábado, 10 de janeiro, aos 19 anos, em Curitiba (PR). Natural de Dois Vizinhos, município do oeste do Paraná com cerca de 47,5 mil habitantes, a jovem ficou conhecida nacionalmente por compartilhar, nas redes sociais, sua rotina de tratamento contra um linfoma de Hodgkin, câncer que atinge o sistema linfático.
Isabel deixa o marido e um filho bebê, que completou um ano de idade em 29 de dezembro. O velório e o sepultamento ocorrem em sua cidade natal.
Diagnosticada pela primeira vez em 2021, quando tinha apenas 15 anos, Isabel passou por um transplante de medula óssea, que inicialmente indicou remissão da doença. No entanto, no início de 2024, o câncer voltou de forma agressiva. Após novos exames, médicos informaram à família que o quadro era terminal, com expectativa de vida limitada segundo a medicina.
Mesmo diante do prognóstico, Isabel seguiu compartilhando sua vivência com franqueza — inclusive em entrevistas concedidas ao Sechat, onde falou sobre o uso da cannabis medicinal como parte dos cuidados paliativos.
A entrevista ao Sechat e o uso da cannabis
Em fevereiro de 2024, Isabel concedeu entrevista ao Sechat na qual relatou que passou a utilizar óleo à base de CBD e THC para lidar com os efeitos físicos e emocionais da doença. À época, ela demonstrava plena consciência da gravidade do seu estado clínico.
“A doença está parada, mas é traiçoeira. Quando ela começar a se disseminar, não vai mais parar. Isso me assusta”, disse Isabel ao Sechat.
Seis meses após receber a notícia de que enfrentaria um câncer em estágio terminal, Isabel relatou uma estabilidade clínica inesperada. Tumores que chegaram a medir 17 centímetros no tórax e quatro centímetros no pescoço haviam reduzido para seis milímetros.
“A única explicação para essa melhora é o uso da cannabis aliado aos resquícios da imunoterapia”, afirmou à reportagem.
Segundo Isabel, a cannabis passou a integrar sua rotina diária. Ela utilizava cerca de 20 gotas de um óleo concentrado, com aproximadamente seis mil miligramas de CBD e THC, aumentando a dosagem em momentos de crise. Além da redução da dor, a jovem relatava melhora significativa na disposição e no bem-estar geral.
Controle da ansiedade e da saúde emocional
Além do câncer, Isabel também convivia com o transtorno de ansiedade generalizada (TAG) e sintomas depressivos desde a infância. Na entrevista ao Sechat, ela destacou que o impacto da cannabis foi ainda mais evidente no campo emocional.
“Sinto que a cannabis ajudou muito mais a minha vida emocional que qualquer outro remédio. Hoje é a única medicação que uso para a ansiedade”, relatou.
Com mais de três milhões de seguidores, Isabel explicou que, antes do uso da cannabis, os comentários negativos nas redes sociais afetavam profundamente sua saúde mental. Após o início da terapia, passou a se expor com mais naturalidade.
“Nunca comento isso no Instagram, mas desde os 11 anos sofri com sintomas depressivos. Cheguei a tentar suicídio algumas vezes. Hoje consigo controlar melhor essas emoções”, revelou.
O esclarecimento da médica sobre o quadro terminal
Em meio à repercussão do caso, a médica responsável pelo acompanhamento de Isabel também falou ao Sechat, em entrevista publicada em março de 2024, para esclarecer a polêmica em torno do termo “câncer terminal”.
Segundo a profissional, o quadro de Isabel era considerado terminal do ponto de vista clínico, pela ausência de respostas duradouras aos tratamentos convencionais, mas isso não significava um prazo exato ou imediato de morte.
A médica explicou que a medicina trabalha com prognósticos estatísticos, e não com sentenças definitivas, ressaltando que cada organismo pode reagir de maneira diferente, especialmente quando há cuidados paliativos bem conduzidos e suporte emocional.
Entre a finitude e a vontade de viver
Mesmo convivendo com a incerteza, Isabel afirmava que vivia um dos períodos mais intensos da sua vida.
“Hoje eu tenho muito mais disposição, uma vontade gigante de viver a vida. O canabidiol me estimula a fazer coisas novas”, disse ao Sechat.


