Patologias bucais nos pacientes com autismo e o tratamento com a cannabis medicinal

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(Imagem: Sechat/Arquivo)

Coluna de Dra. Cynthia de Carlo

Pacientes com autismo, geralmente, apresentam comportamentos repetitivos e costumam ter uma certa dificuldade motora, acompanhada de alteração sensorial. Quando crianças,  apresentam vários fatores de risco associados às lesões por cárie, uma vez que há grande dificuldade na manutenção da saúde bucal devido a pouca destreza manual, por conta das limitações motoras, o que dificulta a escovação e a higienização, por muitas vezes precária. Outro agravante, é que as crianças autistas tendem a apresentar uma diminuição do fluxo salivar por serem usuárias de diversos fármacos associados. 

Há também uma grande preferência por alimentos muito doces, moles e pastosos, que são altamente cariogênicos. Além disso, as crianças com Transtorno do Espectro Autista, ainda hoje, representam um grande desafio aos dentistas em seus consultórios, pois, além de possuírem comportamentos complexos, não há como deixar de mencionar, o quão estressante é para a maioria das pessoas, passar por consulta e ouvir o barulho da caneta de alta rotação – o tão temido “motorzinho” – em um consultório dentário, o que pode deixar os pacientes ainda mais tensos.

Segundo a Federação Dentária Internacional (FDI), a saúde bucal é multifacetada, ou seja, nela incluímos várias especificidades como: a capacidade de falar, sorrir, cheirar, provar, tocar, mastigar e engolir, além de transmitir várias emoções por meio de expressões faciais com confiança e sem dor, desconforto e patologia do complexo craniofacial. Portanto, a saúde bucal é essencial para todo o funcionamento do corpo humano e para melhoria da qualidade de vida. 

Da incidência maior de cáries

O aumento da prevalência de cárie nos pacientes com autismo, também pode se dar muitas vezes pela ação protetora dos pais, que visam satisfazer seus filhos, tentando “compensar” os efeitos adversos da doença, com a administração excessiva de doces e negligenciando a higiene. É necessário persistência, resiliência e muito esforço desses pais cuidadores ou familiares, para obter e manter uma higiene oral adequada.

Outro fator que pode aumentar o aparecimento de cáries nessas crianças, é o fato de apresentarem um refluxo gastroesofágico, causado por distúrbios gastrointestinais, tendo esse fator uma prevalência direta na erosão dentária. 

É comum observarmos um cenário propício ao aparecimento das cáries, como a má higienização bucal somada a dieta rica em doces (açúcar), diminuição do fluxo salivar causados por fármacos associados e ainda a falta de profissionais especializados para atendimento destes pacientes.

Da incidência de outras patologias

Bruxismo 

Outra patologia comum em pacientes autistas é o famoso Bruxismo, tendo em vista o alto nível de ansiedade que eles apresentam. A curiosidade nestes casos é que o distúrbio ocorre na maioria das vezes durante o sono. 

Má Oclusão

Vários estudos apontam que crianças com TEA têm maior prevalência de certos tipos de má oclusão, um distúrbio dento esquelético que pode afetar a estética e a função. Este fator pode resultar em uma menor interação social, prejudicando a qualidade de vida do paciente, pois existe uma combinação de fatores e hábitos parafuncionais como o uso de chupeta, bruxismo, deglutição atípica, respiração oral e sucção digital, hiperatividade muscular e dificuldades na mastigação.

Fraturas dentárias 

Outro distúrbio bastante comum entre pacientes autistas é o traumatismo dentário, mais precisamente a fratura de esmalte. Ele é mais comum no sexo feminino e os dentes mais acometidos são os incisivos centrais superiores permanentes.

Efeitos adversos de fármacos usados no tratamento do Autismo e a Cannabis

Pacientes autistas que não apresentam grandes sintomas, normalmente não são medicados com nenhum tipo de fármaco. Só são prescritos medicamentos a pacientes autistas que apresentam sintomatologia como hiperatividade, depressão ou comportamentos agressivos.

Efeitos adversos dos fármacos e seus impactos na saúde bucal

Efeitos como: aumento da frequência cardíaca e da pressão arterial, sialoadenite, bruxismo, sialorréia, disfagia, disgeusia, estomatite, gengivite, edema da língua, glossite, descoloração da língua, distonia e angioedema contribuem para o aparecimento da cárie dentária devido a xerostomia (redução salivar), aumentam a dificuldade de higienização oral devido a sintomatologia causada pela inflamação da mucosa com o aparecimento de aftas ou úlceras (estomatite). Aumento no sangramento gengival com incômodo (gengivite), desconforto oral devido ao edema da língua e ainda inflamação ou infecção no dorso da língua (glossite) etc.

No campo dos transtornos neurológicos pediátricos, o Cannabidiol (CBD) é usado no tratamento de ansiedade por conta dos efeitos neuroprotetores com relevância para dependência, cognição e afeto. Também foi demonstrado que o CBD tem toxicidade muito baixa em seres humanos e nenhum efeito teratogênico ou mutagênico foi induzido pelo uso do canabinoide.

No campo odontológico, a utilização do CBD vem se destacando no controle da ansiedade e estresse, que se mostram elevados numa visita a um consultório dentário, na redução do bruxismo e consequentemente na diminuição das fraturas dentárias devido às propriedades relaxantes, calmantes e anti-inflamatória da cannabis medicinal.

Sendo assim, o CBD vem se apresentando como uma terapia complementar que obtém performance positiva no controle  do TEA, com resultados promissores nos efeitos de alguns sintomas  comportamentais, como ,  distúrbios  do  sono, convulsões e hiperatividade, além da influência sobre os sintomas essenciais, deficiência de comunicação social,  interesses  restritos  e  estereotipados.

Com a cannabis medicinal, conseguimos melhorar e otimizar nosso objetivo, que é mantermos a saúde bucal de cada paciente o mais perfeita possível, reduzindo os efeitos das patologias e aumentando a qualidade de vida.

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e não correspondem, necessariamente, à posição do Sechat.

Sobre o autor:

Cynthia De Carlo é cirurgiã-dentista, formada há 31 anos pela UNITAU, pós-graduada em Periodontia, Implante e Pediatria. É dentista do CECMedic (Centro de Excelência Canabinoide) e membro da SBEC (Sociedade Brasileira de Estudos da Cannabis).

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