Uece lidera estudo com cannabis em crianças com TEA

Pesquisa clínica no Ceará e em São Paulo vai avaliar eficácia e segurança de formulação rica em canabidiol em 120 crianças com autismo.

Publicada em 18/02/2026

Pesquisa da Uece avalia uso de cannabis medicinal em crianças com TEA

Estudo conduzido pela Uece vai avaliar eficácia e segurança de formulação rica em canabidiol em 120 crianças com TEA | Crédito: Canva Pro (imagem ilustrativa)

 

A Universidade Estadual do Ceará (Uece) coordena, no Ceará, um ensaio clínico que vai avaliar o uso de uma formulação à base de cannabis medicinal em crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). O estudo será realizado em parceria com a GreenCare Pharma e instituições de ensino de São Paulo, envolvendo 120 participantes divididos igualmente entre os dois estados.

No Ceará, a pesquisa será conduzida pelo Laboratório de Neurociência e Inovação Translacional (Lanit) e pelo Grupo de Pesquisa e Estudos em Neuroinflamação e Neurotoxicologia (Genit), ambos vinculados ao Instituto Superior de Ciências Biomédicas (ISCB) da Uece. A coordenação é do professor Gislei Aragão.

 

Pesquisa clínica com padrão-ouro metodológico

 

O estudo adota o modelo considerado padrão-ouro na pesquisa clínica: ensaio duplo-cego, randomizado e controlado por placebo. O objetivo é avaliar a eficácia e a segurança de diferentes doses de uma formulação rica em canabidiol no manejo de comportamentos disruptivos associados ao TEA, como agitação, agressividade e inquietação.

Esse desenho metodológico garante maior confiabilidade aos resultados, reduzindo vieses e assegurando rigor científico na análise dos dados.

 

Alternativa aos tratamentos convencionais

 

Atualmente, as opções farmacológicas para esses sintomas incluem principalmente antipsicóticos, que podem causar efeitos adversos significativos, como ganho de peso, sedação excessiva e alterações metabólicas.

A proposta do estudo é investigar uma alternativa terapêutica com potencial de maior segurança e melhor tolerabilidade, ampliando as possibilidades de manejo clínico para crianças com TEA.

 

Acompanhamento multiprofissional e monitoramento rigoroso

 

As crianças serão acompanhadas por equipe multiprofissional, com neuropediatras e psiquiatras infantis, durante três meses. Estão previstas avaliações clínicas semanais e exames laboratoriais antes e após a intervenção.

A fase de seleção dos participantes deve ocorrer entre o segundo semestre de 2026 e o primeiro semestre de 2027, em parceria com o Instituto da Primeira Infância (Iprede).

 

Possível impacto no SUS

 

Caso os resultados confirmem eficácia e segurança, o projeto poderá subsidiar a futura incorporação do produto ao Sistema Único de Saúde (SUS), ampliando o acesso a tratamentos baseados em evidência científica.

Segundo os pesquisadores, os dados serão publicados independentemente dos desfechos, reforçando o compromisso com o rigor ético, a transparência e a independência científica.