Estudo avalia uso de CBD em crianças com autismo e aponta melhora em sintomas de atenção e hiperatividade

Pesquisa publicada em revista científica analisou crianças e adolescentes com TEA tratados com óleo rico em canabidiol e identificou melhorias relatadas por professores após até seis meses de acompanhamento

Publicada em 12/02/2026

Estudo avalia uso de CBD em crianças com autismo e aponta melhora em sintomas de atenção e hiperatividade

Uso de cannabis rica em CBD é associado à melhora comportamental em crianças com autismo, aponta estudo | CanvaPro

Um estudo aberto publicado recentemente indica que crianças e adolescentes com transtorno do espectro autista (TEA) que utilizaram óleo de cannabis rico em canabidiol (CBD) apresentaram melhora em sintomas associados ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).

Segundo o site PubMed, as mudanças foram observadas após um período de três a seis meses de tratamento, a partir da avaliação de professores.


Como o estudo foi conduzido


A pesquisa teve desenho prospectivo e aberto, sem grupo controle, e acompanhou crianças e jovens com diagnóstico de TEA que apresentavam sintomas de TDAH. 

Dos 109 participantes inicialmente incluídos, 53 tiveram seu comportamento avaliado por professores por meio da Conners’ Teacher Rating Scale (CTRS), instrumento amplamente utilizado para mensurar aspectos como atenção, hiperatividade, impulsividade e regulação emocional.


O tratamento consistiu no uso de óleo de cannabis com predominância de CBD, administrado ao longo de três a seis meses. Amostras de sangue foram coletadas antes e após o período de intervenção para análise dos níveis de canabinoides, incluindo o CBD e seus metabólitos. O objetivo foi investigar possíveis associações entre a concentração dessas substâncias e as mudanças comportamentais observadas.


De acordo com os resultados, os professores relataram reduções estatisticamente significativas em diferentes domínios avaliados pela CTRS após o tratamento com CBD. Entre os principais pontos de melhora estão:

  • ansiedade e timidez;
  • perfeccionismo;
  • índice geral de TDAH;
  • labilidade emocional;
  • hiperatividade e impulsividade.


O estudo também identificou tendências de melhora em outros aspectos, como comportamento opositor, desatenção cognitiva e pontuações globais, embora nem todos tenham alcançado significância estatística.


Níveis de CBD e respostas comportamentais


A análise dos dados não encontrou, na maioria dos domínios avaliados, uma correlação direta entre os níveis de canabinoides no sangue e as mudanças comportamentais. Segundo o site PubMed, a exceção foi observada na labilidade emocional, que apresentou maior redução em participantes com concentrações mais elevadas de CBD após o tratamento.


Os autores destacam que, por se tratar de um estudo aberto e sem grupo placebo, os resultados devem ser interpretados com cautela. Ainda assim, os achados reforçam a necessidade de ensaios clínicos controlados e randomizados, capazes de confirmar a eficácia do CBD, estabelecer parâmetros de dosagem e avaliar a segurança do tratamento em longo prazo para crianças com TEA.