CIOSP debate avanço das terapias canabinoides na odontologia após atualização da Anvisa

Tema foi debatido durante palestra no 43º CIOSP, maior congresso de odontologia da América Latina, com foco em evidências científicas e nos impactos da nova regulamentação da Anvisa para a prática odontológica no tratamento de dores orofaciais

Publicada em 30/01/2026

Público presente na palestra dedicada às perspectivas das terapias canabinoides na odontologia. durante o CIOSP. Imagem: Sechat

Realizado na Arena CFO, espaço do Conselho Federal de Odontologia, o a palestra reuniu profissionais para discutir evidências científicas e o impacto das recentes mudanças regulatórias no Brasil. Imagem: Canva Pro

Na tarde desta quinta-feira (28), a 43ª edição do Congresso Internacional de Odontologia de São Paulo (CIOSP) recebeu uma palestra dedicada às perspectivas das terapias canabinoides na odontologia.

Realizado na Arena CFO, espaço do Conselho Federal de Odontologia, o a palestra reuniu profissionais para discutir evidências científicas e o impacto das recentes mudanças regulatórias no Brasil.

 

Atualização da Anvisa e o cultivo nacional


 

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 João Paulo Tanganeli. Imagem: Reprodução

A apresentação foi conduzida pelo especialista João Paulo Tanganeli, que contextualizou a trajetória da planta até o cenário contemporâneo. O debate ocorreu um dia após a atualização da RDC 327 pela Anvisa.

A nova norma estabelece diretrizes para a comercialização de produtos e abre caminhos para o cultivo nacional. Tanganeli destacou a importância da segurança jurídica e técnica neste novo momento das terapias canabinoides na odontologia.

"Houve uma preocupação muito interessante em relação à segurança, especialmente no plantio em solo nacional. As instituições de ciência e tecnologia provavelmente vão tornar o processo ainda mais sério", afirmou o especialista.


Benefícios clínicos e dor orofacial


No aspecto clínico, Tanganeli detalhou o funcionamento do Sistema Endocanabinoide. Segundo ele, a área de dor orofacial e Disfunção Temporomandibular (DTM) concentra o maior volume de evidências para o uso de terapias canabinoides na odontologia.

A pesquisa com cannabis está com carga ascendente. Em 2024, existiam 16 mil artigos publicados nos últimos três anos", pontuou. "Na odontologia, a dor orofacial apresenta mais respaldo. Em DTM existem apenas quatro trabalhos, mas já acompanhei casos de melhora extrema", completou.

 

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Teleodontologia e novas normas do CFO


O encerramento abordou a modernização das normas do próprio Conselho Federal de Odontologia. Com a Resolução CFO nº 278/2025, a categoria passa a contar com o respaldo da Teleodontologia.

Essa medida permite a realização de teleconsultas para a prescrição de terapias canabinoides na odontologia. O objetivo é ampliar o acesso e garantir a segurança dos pacientes que necessitam desse suporte terapêutico.


Demanda crescente nos consultórios


O interesse pela palestra refletiu uma demanda de dentistas que buscam embasamento teórico. Para muitos, o evento foi o primeiro contato formal com a ciência aplicada à saúde bucal.

A ortodontista Elaine Tsuneko Nagamine ressaltou que busca preencher lacunas de conhecimento. "Como trabalho com ortodontia e o professor falou sobre DTM, senti interesse em saber como poderei prescrever para ajudar meus pacientes", explicou.

Antonio Carlos Ferreira, dentista da rede pública em Santa Rosa de Viterbo (SP), relatou que a procura por informações é espontânea. Os pacientes buscam orientações que os profissionais precisam estar aptos a fornecer.

"A cannabis será uma ferramenta extremamente importante para o esclarecimento de enfermidades que hoje não têm cura, mas possuem controle", concluiu Ferreira, reforçando o futuro das terapias canabinoides na odontologia.