O Ano da Cannabis: tendências e projeções para o mercado em 2026
Consolidação financeira, regulação do cultivo e fortalecimento de eventos marcam as perspectivas do setor para o próximo ano
Publicada em 09/01/2026

Segundo especialistas, os três pilares centrais serão a definição regulatória, a eficiência operacional das empresas e a qualificação técnica dos profissionais de saúde. Imagem: Canva Pro
O mercado de cannabis medicinal no Brasil caminha para um momento decisivo de consolidação em 2026. Até 2030, o setor legal deve crescer, em média, 26% ao ano, alcançando a marca de R$ 1,1 bilhão ao fim do período. Os dados são da Grand View Research, 2025, divulgados no 5º Guia Sechat da Cannabis.
Mais do que cifras recordes, o avanço projeta um ciclo de reestruturação do mercado, marcado por amadurecimento regulatório, profissionalização dos agentes e fortalecimento da cadeia produtiva.
Segundo especialistas, os três pilares centrais serão a definição regulatória, a eficiência operacional das empresas e a qualificação técnica dos profissionais de saúde.
No entanto, o cenário atual exige cautela. O período de expansão acelerada dá lugar a uma fase de exigência por sustentabilidade financeira e maturidade corporativa.
Eficiência no mercado de cannabis
Para Danilo Lang, fundador da plataforma Cannabis e Empregos, a "regra de ouro" para o próximo ciclo será a racionalidade administrativa. "O foco, das conversas que tenho com executivos e profissionais do setor, deixa de ser exclusivamente volume e expansão acelerada e passa a priorizar margem, recorrência e previsibilidade de receita das operações", analisa Lang.

A mudança de mentalidade reflete uma adaptação necessária às pressões do mercado de cannabis. A tentativa de verticalização total — onde uma única empresa tenta controlar do cultivo à distribuição — tende a perder força para modelos de negócios mais integrados e colaborativos.
"As parcerias estratégicas em distribuição, logística, P&D e acesso a canais ganham relevância, substituindo tentativas de verticalização forçada que geralmente elevam custos e complexidade", pontua Lang.
Segundo o executivo, o setor medicinal passa a ser tratado "menos como uma promessa futura e mais como um negócio que precisa se sustentar no presente".
Qualidade farmacêutica e educação médica
Do lado clínico e do produto, a tendência para 2026 é a elevação da régua de qualidade. Com a expectativa de revisão da RDC 327/19 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a possível conclusão da regulamentação do cultivo nacional, o mercado nacional deve priorizar a padronização.

Stefanie Souza, farmacêutica especialista do setor, destaca que o diferencial competitivo residirá na segurança clínica. "Observo como tendência a consolidação de empresas que levam esse trabalho com mais seriedade, com suporte aos prescritores e pacientes além de um alto padrão de qualidade em seus produtos, como o chamado Grau Farmacêutico", afirma.
Essa exigência por qualidade impulsiona diretamente a necessidade de educação médica continuada no mercado de cannabis. A formação genérica cede espaço para a especialização técnica. "A criação de cursos de extensão e pós-graduações certificadas pelo MEC [Ministério da Educação], tem despertado cada vez mais entusiastas na área", completa Souza.
Eventos impulsionam o setor
A busca por qualificação técnica e a necessidade de integração entre os elos da cadeia produtiva fortaleceram o calendário de eventos presenciais. Esses encontros deixaram de ser apenas vitrines comerciais para se tornarem polos de educação continuada e debate científico, essenciais para a maturação do mercado de cannabis.
Stefanie Souza observa que a heterogeneidade do público reflete o amadurecimento do setor. "A participação cada vez mais expressiva de diferentes perfis profissionais em congressos e eventos científicos, como o Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal, reitera a importância da troca de informação e conhecimento entre essa comunidade", afirma.
Agendado para maio de 2026, no Transamerica Expo Center (SP), o 5º Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal (CBCM) propõe reunir profissionais de saúde e indústria. A programação, curada por um comitê científico, foca no rigor técnico como ferramenta para combater o estigma e ampliar a adesão médica.

Simultaneamente, o mercado observa uma segmentação maior no conteúdo oferecido, fugindo de abordagens generalistas. Para Danilo Lang, essa especialização é uma resposta direta à demanda dos prescritores.
"Acredito que a educação médica tende a se tornar mais técnica, segmentada e baseada em evidência clínica real. Nós já vemos esse movimento acontecer na Cannabis Fair, trazendo conteúdos focados por especialidade e patologia, alinhado à prática clínica", pontua Lang.
A 5ª edição da Cannabis Fair, que também ocorre em maio de 2026 na capital paulista, reflete a expansão do escopo do setor. O evento abrangerá desde o cultivo e extração até o cânhamo industrial e serviços logísticos, com a presença de mais de 80 expositores nacionais e internacionais.
O horizonte regulatório da cannabis
O cenário jurídico também será determinante para os rumos do mercado de cannabis em 2026. Uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) estendeu o prazo para que a União regulamente o cultivo do cânhamo industrial até março de 2026.
A medida gera expectativa de fomento à produção nacional de insumos, o que pode reduzir a dependência de importações e impactar o preço final.




