Estudo aponta novo método para identificar cultivares de Cannabis com precisão
Pesquisa publicada no Journal of Cannabis Research une análise genética e química para elevar o controle de qualidade na indústria farmacêutica
Publicada em 15/01/2026

O objetivo principal é garantir a reprodutibilidade e a segurança dos lotes destinados ao uso terapêutico. Imagem: Canva Pro
Uma pesquisa recente publicada no Journal of Cannabis Research destaca que a integração de marcadores genéticos com a análise química é altamente eficaz para a identificação precisa de cultivares de Cannabis. O estudo visa solucionar desafios críticos de controle de qualidade na indústria farmacêutica.
O objetivo principal é garantir a reprodutibilidade e a segurança dos lotes destinados ao uso terapêutico. Dessa forma, a nova metodologia busca superar as limitações das classificações tradicionais aplicadas às cultivares de Cannabis.
Metodologia aplicada às cultivares de Cannabis
Para realizar o estudo, os pesquisadores utilizaram marcadores moleculares do tipo SSR (sequências simples repetidas) combinados com cromatografia líquida de alta eficiência (HPLC). O foco foi caracterizar três cultivares de Cannabis clonais distintas.
As amostras analisadas apresentavam alto teor de THC e foram fornecidas pela empresa SOMAI Pharmaceuticals. A análise visava aprofundar o entendimento sobre a composição exata dessas plantas para fins medicinais.
Diferenciação genética e química da cannabis
Os resultados demonstraram que, embora os perfis químicos dos canabinoides fossem semelhantes entre as cultivares de Cannabis — com THC superior a 80% após purificação —, a genética revelou diferenças exclusivas.
Marcadores específicos, como o ANUCS303 e o C11CANN1, permitiram a criação de uma diferenciação clara. Isso possibilitou estabelecer uma identidade única para cada planta analisada no estudo.
Integração com a análise química e uso medicinal da cannabis
Enquanto o estudo da Scientific Reports foca na diferenciação geográfica e forense, outras pesquisas publicadas em 2026 expandem o uso da genética para garantir a segurança de pacientes. Um artigo recente do Journal of Cannabis Research aponta que a integração de marcadores genéticos com a análise química é essencial para a indústria farmacêutica.
Neste levantamento, cientistas conseguiram diferenciar cultivares clonais de alto teor de THC que, quimicamente, pareciam idênticas. O estudo reforça que confiar apenas na análise dos canabinoides (quimiotipo) não é suficiente para o controle de qualidade rigoroso.
Ao cruzar os dados de DNA (genótipo) com o perfil químico, cria-se uma "impressão digital de identidade" robusta. Essa metodologia dupla visa assegurar que lotes de medicamentos à base de cannabis mantenham sempre a mesma eficácia terapêutica, superando a variabilidade natural da planta que pode afetar o tratamento.
Importância da "impressão digital" das plantas de cannabis
O estudo alerta que rótulos comerciais muitas vezes falham em refletir a composição exata devido à alta heterozigosidade da espécie. A variabilidade genética pode influenciar a presença de canabinoides menores e impurezas nas cultivares de Cannabis.
Isso ocorre mesmo quando os componentes principais se apresentam de forma idêntica nos testes químicos padrão. Portanto, a validação da identidade genética, somada ao perfil químico, estabelece uma necessária "impressão digital de identidade".
A conclusão aponta que esta metodologia é fundamental para o setor. Ela assegura a equivalência terapêutica entre lotes e atende às rigorosas exigências regulatórias para medicamentos baseados em cultivares de Cannabis.



