Embrapa reforça apoio à Frente Parlamentar e defende soberania na produção de cannabis medicinal no Brasil
Embrapa reforça pesquisa e produção nacional de cannabis medicinal, reduz custos para pacientes e apoia associações, destacando potencial agrícola do cânhamo no Brasil
Publicada em 04/03/2026

Clênio Nailto Pillon (diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa), Daniela Bittencourt (pesquisadora da Embrapa) e Valber da Silva Frutuoso (representante da Fiocruz) durante a apresentação da frente parlamentar mista
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), referência em pesquisa agropecuária, reafirmou seu compromisso com a pesquisa e produção nacional de cannabis medicinal durante a Frente Parlamentar na Câmara dos Deputados. O diretor executivo de pesquisa e desenvolvimento, Clenio Nailto Pillon, destacou a importância de estruturar um programa robusto de pesquisa, desenvolvimento e inovação para o setor, garantindo que o Brasil não dependa apenas da importação de insumos e medicamentos.
“Nós não podemos ser apenas importadores de tecnologia e de insumos. O Brasil tem competência técnica e condições climáticas para desenvolver a sua própria genética de cannabis, garantindo a soberania nacional sobre essa cadeia produtiva”, afirmou Pillon, ressaltando o papel estratégico da instituição no fortalecimento da indústria nacional de cannabis medicinal.
Democratização do acesso e redução de custos
A iniciativa da Embrapa também busca tornar o tratamento com cannabis mais acessível à população. “O nosso objetivo principal com essa pesquisa é a democratização do acesso. Hoje, o tratamento com cannabis no Brasil é extremamente caro porque depende de importação. Ao produzirmos aqui, com tecnologia nacional, conseguimos baixar drasticamente o custo para o paciente final e para o SUS”, disse o diretor, destacando a relevância social do projeto.
Segundo Pillon, a disponibilidade de insumos nacionais não apenas reduz custos, mas também fortalece o sistema de saúde público e garante que pacientes de diferentes regiões do país possam ter acesso ao tratamento com segurança e qualidade.
Segurança científica e padronização
A Embrapa também se compromete com a qualidade científica dos produtos à base de cannabis. “A ciência entra para garantir que o óleo que o paciente está tomando tenha exatamente o que diz no rótulo. A Embrapa vai trabalhar na padronização e na estabilidade das plantas, para que o médico tenha segurança na prescrição e o paciente tenha segurança no tratamento”, afirmou Pillon.
O trabalho da instituição inclui o desenvolvimento de protocolos de cultivo, extração e padronização do óleo, garantindo eficácia, segurança e confiabilidade em cada etapa da produção.
Parceria com associações de pacientes
Outro ponto destacado pelo diretor é o apoio técnico às associações de pacientes, que desempenham papel social fundamental no Brasil. “As associações de pacientes cumprem um papel social fundamental no Brasil hoje. O que a Embrapa quer é oferecer suporte técnico para que esse trabalho seja fortalecido com base em dados científicos, melhorando a extração e a qualidade do remédio que elas já produzem”, disse Pillon.
Essa parceria visa não apenas aprimorar a produção artesanal de medicamentos, mas também integrar ciência e sociedade para consolidar políticas públicas mais eficazes.
Potencial agrícola e econômico do cânhamo
Além da vertente medicinal, a Embrapa também vê no cânhamo industrial uma oportunidade agrícola de alto valor. “Precisamos olhar para a cannabis, especialmente para o cânhamo industrial, como uma cultura agrícola de alto valor, assim como é a soja ou o milho. O Brasil tem o potencial de ser o maior player global nesse setor, unindo inovação no campo e saúde pública”, afirmou o diretor.
O país possui clima, solo e tecnologia capazes de tornar a produção nacional de cannabis competitiva globalmente, abrindo caminho para novos negócios e oportunidades econômicas no agronegócio.
Avanço regulatório e científico
Durante a Frente Parlamentar, Pillon destacou que o avanço científico e regulatório da Embrapa é uma questão de democratização, garantindo que os benefícios da planta não fiquem restritos apenas a quem possui alto poder aquisitivo. Ele reafirmou a disposição da instituição em atuar em conjunto com entidades como a Fiocruz para fornecer o embasamento científico e tecnológico necessário à criação de políticas públicas eficazes.

