Cannabis Fair 2026 coloca o médico no centro do debate sobre acesso
Empresário destaca crescimento no número de médicos prescritores e aponta a capacitação profissional como principal desafio para consolidar a cannabis medicinal no Brasil
Publicada em 13/02/2026

Cannabis Fair 2026 consolida-se como principal feira científica e profissional do setor de cannabis medicinal no Brasil, reunindo médicos, pesquisadores e empresários para debater inovação, regulação e avanços na prescrição. | Crédito: Sechat
A Cannabis Fair 2026 irá consolidar mais uma vez seu papel como feira científica e profissional do setor canábico brasileiro e da América Latina. Ao longo de quatro edições, o evento reuniu especialistas, empresas, pesquisadores e profissionais de saúde, apresentando inovações, debatendo avanços regulatórios e mostrando, na prática, como o mercado nacional vem se estruturando. A 5ª edição, no Transamérica Expo Center, em São Paulo, chega com novas soluções, expansão da programação científica e fortalecimento do ambiente de negócios.
Crescimento no número de prescritores
Em meio ao avanço regulatório e à ampliação do acesso, o empresário Eduardo Henrique Duarte afirma que o principal desafio do setor está na segurança clínica do profissional. Durante a feira, ele apresentará a estrutura desenvolvida pela Magu Hemp Tradition, empresa da qual é sócio-fundador, voltada ao suporte técnico e operacional para médicos que desejam atuar com a terapia canabinoide.
Dados do relatório Panorama de Mercado da Cannabis Medicinal 2025–2026, elaborado pela Close-Up International para o Congresso Brasileiro de Cannabis Medicinal , mostram que 61.052 médicos prescreveram cannabis medicinal no período analisado (MAT 09/25), crescimento de 30,7% em relação ao ciclo anterior. Do total atual, 38.835 profissionais iniciaram prescrição no último ano, representando 64% dos prescritores. A média é de 6,7 prescrições por médico (Px/CRM).
Para Duarte, os números evidenciam que o mercado cresce, mas ainda depende de estruturação técnica. Segundo ele, a empresa criou um modelo de apoio voltado justamente a essa lacuna.
“A Magu criou um ecossistema completo para o médico que quer prescrever cannabis medicinal com segurança. Desenvolvemos ferramentas exclusivas: calculadoras de protocolos avançados que auxiliam na dosagem e já emitem a receita formatada, uma base de conhecimento com artigos e estudos clínicos atualizados, e um curso introdutório gratuito para médicos e dentistas parceiros.”
Médicos que deixaram de prescrever acendem alerta
Apesar da expansão no número total de prescritores, o levantamento aponta que 24.486 médicos que anteriormente prescreviam deixaram de fazê-lo no período analisado . O dado revela que parte dos profissionais testa a terapia, mas não mantém recorrência.
As especialidades com maior participação nas prescrições são clínica geral (30,4%), neurologia (27,6%), psiquiatria (26%) e pediatria (7,1%), segundo a Close-Up . A maior parte das indicações está ligada a condições neurológicas e psiquiátricas, como epilepsias, dor crônica e transtornos ansiosos.
Duarte avalia que o cenário reflete uma lacuna na formação médica.
“A regulação avançou, mas a formação médica ficou para trás. A maioria dos profissionais saiu da faculdade sem estudar o sistema endocanabinoide, e isso cria um gargalo: o paciente pode acessar legalmente, mas depende de encontrar um médico preparado.”
Formação e suporte ao paciente
Segundo o empresário, o trabalho desenvolvido busca oferecer segurança não apenas na prescrição, mas também no acompanhamento do tratamento.
“Mas não para no médico. Quando ele prescreve pela Magu, o paciente recebe suporte diferenciado: acompanhamento humanizado, orientação sobre uso, auxílio com documentação e uma equipe disponível durante todo o tratamento. O médico prescreve com confiança sabendo que seu paciente será bem cuidado.”
Para ele, a consolidação do setor depende do engajamento do profissional de saúde.
“O setor só se consolida quando o profissional de saúde se sente parte dele. Muitos médicos ainda veem cannabis medicinal como algo distante ou arriscado. Eventos como a Cannabis Fair ajudam a mudar isso.”
No horizonte dos próximos anos, Duarte projeta crescimento, mas reforça o desafio educacional.
“A maior perspectiva é a expansão do acesso, e isso passa diretamente pelo médico. O paciente brasileiro já pode usar cannabis medicinal legalmente, mas precisa encontrar um profissional preparado para prescrever. A demanda existe; falta capacitar quem pode atendê-la.”
“O principal desafio ainda é educacional: mais médicos formados, mais conteúdo acessível, menos estigma. A Magu aposta que prescrever cannabis vai se tornar algo natural nos próximos anos. Nosso trabalho é acelerar essa curva.”
A feira como hub estratégico
A 5ª edição da Cannabis Fair reforça sua vocação como hub científico, regulatório e de negócios do setor canábico brasileiro. A programação reúne painéis técnicos, debates com autoridades, apresentação de pesquisas, soluções tecnológicas e espaço para networking estratégico entre médicos, investidores, indústrias e empreendedores.
Toda a programação oficial, incluindo palestrantes, expositores e detalhes sobre credenciamento, está disponível no site oficial do evento: cannabisfair.com.br.
Veja o vídeo oficial da CF:



