Macedônia do Norte revoga licenças de cannabis medicinal após apreensão de 40 toneladas
Operação expõe falhas na rastreabilidade e leva governo a intensificar fiscalização no setor
Publicada em 23/03/2026

Apreensão de cannabis medicinal na Macedônia do Norte durante operação de fiscalização | CanvaPro
A apreensão de mais de 40 toneladas de cannabis na Macedônia do Norte acendeu um alerta sobre os desafios de controle e rastreabilidade em mercados regulados. O volume, que deveria abastecer exclusivamente o setor medicinal, teria sido desviado para circuitos ilícitos, cenário que levou o governo a intensificar inspeções e revogar licenças de empresas autorizadas.
Segundo o site NewsWeed, a resposta das autoridades foi imediata e articulada entre diferentes órgãos, incluindo o Ministério do Interior, a agência reguladora de medicamentos MALMED e entidades ligadas à agricultura e à saúde pública. A iniciativa marca uma das maiores ações de fiscalização já realizadas no setor de cannabis medicinal do país.
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O ministro da Saúde, Azir Aliu, confirmou que todos os operadores licenciados estão sendo reavaliados dentro de uma revisão ampla do sistema, com o objetivo de identificar falhas e reforçar mecanismos de controle.
Expansão do mercado e crescimento acelerado
A movimentação ocorre em um contexto de expansão acelerada da cannabis medicinal na Macedônia do Norte. Desde a legalização do cultivo para fins terapêuticos, há cerca de dez anos, o país passou a ocupar um espaço estratégico na cadeia de fornecimento europeia.
Ao longo desse período, aproximadamente 60 companhias receberam licenças para atuar no cultivo e processamento da planta. Atualmente, 43 seguem com autorizações válidas, segundo dados do Ministério da Saúde.
O crescimento rápido, no entanto, trouxe desafios proporcionais. A necessidade de monitoramento rigoroso, aliada à complexidade da cadeia produtiva, que envolve cultivo, processamento, armazenamento e distribuição, passou a exigir estruturas regulatórias cada vez mais robustas.
Revogação de licenças e fiscalização em etapas
Até o momento, pelo menos 12 companhias tiveram suas licenças revogadas. Entre elas estão Alphapharm, Green Life, CBD Medplant, Life Plant, Ata Pharm e Kanabi Dois.
As medidas ocorreram em diferentes fases. Em fevereiro, seis produtores foram penalizados após inspeções extraordinárias identificarem problemas de conformidade. Já no início de março, outras seis empresas perderam suas autorizações por apresentarem falhas legais ou regulatórias adicionais.
A porta-voz do governo, Marija Miteva, explicou que as decisões seguiram recomendações da comissão de supervisão do Ministério da Saúde, responsável por avaliar o cumprimento das exigências impostas ao setor.
Impacto internacional e investigação transfronteiriça
Os desdobramentos ultrapassaram as fronteiras da Macedônia do Norte. Na Sérvia, cerca de cinco toneladas de cannabis foram recentemente confiscadas, e procuradores indicam que o material pode ter origem em produtores do país vizinho.
A situação levou a procuradoria de criminalidade organizada a abrir uma investigação para apurar possíveis redes de envio ilegal de cannabis entre os dois países. O foco está em identificar indivíduos e estruturas responsáveis por remessas recorrentes destinadas ao mercado ilícito.
Esse tipo de conexão internacional reforça a complexidade do setor e evidencia como falhas locais podem ter impactos regionais, especialmente em um mercado que opera com cadeias logísticas amplas.
Manutenção do mercado regulamentado
Apesar da crise, o governo reiterou seu compromisso com a continuidade do setor de cannabis medicinal no país. A proposta, segundo as autoridades, não é interromper o desenvolvimento da indústria, mas corrigir distorções e fortalecer sua credibilidade.
As inspeções em andamento têm como foco garantir que o setor opere dentro dos parâmetros estabelecidos, assegurando que a produção ocorra de forma segura e alinhada às normas sanitárias e legais.
Nesse contexto, a cannabis medicinal segue como uma aposta estratégica para a economia local, mas agora sob um olhar mais rigoroso, com exigências ampliadas de controle, transparência e responsabilidade ao longo de toda a cadeia produtiva.
Fonte: Com informações originalmente publicadas por NewsWeed.


