Janeiro Branco: campanha alerta para crise de saúde mental; MDMA pode ser alternativa terapêutica

Com o Brasil na liderança de casos de ansiedade, especialistas analisam o potencial do MDMA no tratamento de transtornos resistentes

Publicada em 14/01/2026

Janeiro Branco: campanha alerta para crise de saúde mental; MDMA surge como tratamento

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 9,3% da população brasileira sofre com ansiedade. Esse índice representa aproximadamente 18 milhões de pessoas, evidenciando a necessidade urgente de prevenção e tratamento. Imagem: Canva Pro

A campanha Janeiro Branco ganha novos contornos neste início de ano ao alertar sobre a gravidade da saúde emocional no país. Diante de um cenário alarmante, onde o Brasil lidera o ranking mundial de transtornos de ansiedade, o debate sobre novas abordagens terapêuticas, como o uso do MDMA, se intensifica.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 9,3% da população brasileira sofre com ansiedade. Esse índice representa aproximadamente 18 milhões de pessoas, evidenciando a necessidade urgente de prevenção e tratamento.

Com a limitação das terapias convencionais para parte dos pacientes, a comunidade médica busca evidências em novas estratégias. Nesse contexto, o uso assistido de substâncias como o MDMA (3,4-metilenodioximetanfetamina) desponta como uma possibilidade clínica relevante.

 

O potencial terapêutico do MDMA


O foco recente de pesquisas internacionais recai sobre o uso de psicodélicos associados à psicoterapia para casos de difícil resolução. O médico pós-graduado em Neurologia, Lucas Cury, destaca que o uso clínico difere substancialmente do consumo recreativo ilegal.

“Estudos de Fase 3 atestam a eficácia significativa no tratamento de pessoas que têm maior resistência a outras terapias. Cerca de 67% a 72% dos participantes não preencheram mais os critérios para TEPT após o uso controlado de MDMA”, explica Cury.

A campanha Janeiro Branco utiliza a simbologia da "folha em branco" para incentivar a busca por ajuda. O agravamento do quadro nacional, impulsionado pela pandemia, acelerou a busca por essas evidências científicas em tratamentos alternativos.

 

Mecanismo de ação do MDMA no cérebro


Segundo o especialista, a substância facilita o processo terapêutico ao atuar quimicamente no sistema nervoso central. Essa ação neuroquímica cria um ambiente favorável para que o paciente trabalhe suas questões emocionais.

“O MDMA ‘inunda’ o cérebro com os hormônios serotonina e ocitocina. O primeiro acalma a amígdala, região responsável por processar o medo e a ansiedade, o que atenua a resposta de fuga”, detalha o médico.

Cury explica ainda que a ocitocina, hormônio produzido na gestação e associado ao afeto, é fundamental no processo. A tese defendida é que essa alteração permite revisitar memórias traumáticas sem a reatividade habitual, possibilitando a ressignificação do trauma.

 

Barreiras regulatórias e o futuro do tratamento


Apesar dos resultados promissores, a implementação dessas terapias enfrenta resistência de órgãos reguladores globais. O estigma associado ao uso recreativo do MDMA ainda é um desafio para a expansão das pesquisas e tratamentos.

No entanto, Cury aponta que países como a Austrália já avançaram na regulamentação da substância para fins psiquiátricos específicos. “Não estamos buscando o uso indiscriminado do MDMA, mas sim a utilização da substância durante terapia assistida, conduzida por médicos preparados para ministrá-la de forma segura”, ressalta.

 

Canais de atendimento e suporte


Independentemente da modalidade terapêutica, o Janeiro Branco reforça a necessidade essencial de buscar ajuda profissional. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece suporte gratuito através das Unidades Básicas de Saúde (UBS) e dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).

Para quem precisa de apoio emocional imediato, o Centro de Valorização da Vida (CVV) está disponível. O atendimento funciona 24 horas por dia através do telefone 188.