Mercado de Carbono, Governo Americano e Cânhamo: Como isso tudo vai mudar a sua vida e por quê não podemos mais esperar

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(Créditos da imagem: Sechat/Arquivo)

Por de Lorenzo Rolim da Silva

O Secretário de Agricultura dos EUA, Tom Vilsack, fez um discurso na Lincoln University no início do mês de Fevereiro, onde anunciou que o Governo Americano irá investir US$ 1 bilhão (cerca de 5,10 Bilhões de Reais na cotação atual) em projetos de agricultura ligados a commodities que contribuam para solucionar a crise climática global.

Uma demonstração sem precedentes do Governo do país em atrair a atenção para projetos do gênero que visam contribuir para a captação e imobilização de gás carbônico e outros gases responsáveis pelo efeito estufa da atmosfera. Hoje, existem várias possibilidades para o agronegócio gerar esse tipo de benefício e arrecadar um excelente valor em cima desse tipo de operação, gerando renda para os fazendeiros que são responsáveis por remover carbono da atmosfera todo ano e raramente lucram com esse trabalho.

“Por muito tempo na América rural, pegamos produtos da terra, nós os enviamos para outro lugar, onde a oportunidade é criada em outro lugar, onde a riqueza é criada em outro lugar”, disse o secretário Vilsack.

Como se não bastasse essa excelente notícia, o Secretário foi mais longe e incluiu o Cânhamo pela primeira vez como uma possibilidade real de tornar-se uma commodity que influencia positivamente nas mudanças climáticas que estão ocorrendo no planeta:

“Com esta oportunidade, agora temos a chance de mudar de um esforço de extração para um esforço circular. A capacidade de criar essencialmente commodities inteligentes para o clima, a oportunidade de converter resíduos em uma ampla variedade de materiais de base biológica. Eu vi alguns deles hoje – cânhamo em material de construção, por exemplo.

Essas instalações de processamento podem estar localizadas exatamente onde as culturas estão sendo cultivadas.

Eles podem ser produzidos de forma sustentável; eles podem ter um valor mais alto; podem criar empregos nas comunidades rurais; podem aumentar a renda agrícola; podem expandir centros populacionais em áreas rurais, tirando a pressão de nossos centros urbanos; eles podem restaurar a vida e a vitalidade em nossas pequenas cidades.

Esse é o lado da oportunidade disso – só precisamos entender a oportunidade que temos e precisamos aproveitá-la completamente.”

Através dessa sinalização mais do que explícita de que o Governo Americano não somente está cada vez mais olhando para o cânhamo como uma commodity como qualquer outra, mas também irá incentivar através de investimentos concretos todos os projetos que estejam focados em criar valor no mercado global de carbono e sustentabilidade, muitos investidores e agentes da indústria do cânhamo começaram a mover suas engrenagens para preparar seus projetos locais para captação de recursos.

Governos de países mais desenvolvidos, como os EUA, Canadá, União Europeia e mesmo a China e a Índia, estão cada vez mais investindo diretamente no desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, geração de energia limpa e renovável e geração de créditos de carbono. Esse tipo de investimento irá impactar diretamente as vidas de todos que vivem no planeta, pois são uma ação afirmativa direcionada diretamente a resolver os problemas causados pela emissão descontrolada de gases poluentes durante os últimos dois séculos.

Em 2021, foi estimado que o mercado global de carbono atingiu o valor de 851 bilhões de dólares. As estimativas indicam que esse mercado irá crescer fortemente até o ano de 2035 pelo menos, ou seja, temos ainda cerca de 13 anos para expandir e criar oportunidades dentro de uma nova economia, um novo mercado, focado em solucionar as questões mais urgentes hoje no planeta.

Enquanto isso, cada vez mais vamos ficando para trás no Brasil, o país que talvez tenha o maior potencial de crescimento dentro desse mercado de sustentabilidade e geração de créditos de carbono, que é líder mundial em agricultura e produção de commodities, mas possui um governo que é totalmente avesso a qualquer iniciativa relacionada à proteção ambiental e que nunca se manifestou diretamente sobre a questão do carbono e muito menos sobre a possibilidade de incluir o cânhamo na matriz produtiva nacional.

Infelizmente o atraso em avançar sobre esses temas irá custar muito dinheiro e oportunidades perdidas aos produtores rurais brasileiros e a sociedade brasileira como um todo. Enquanto por todo o mundo empreendedores e indústrias estão gerando faturamentos altíssimos com a criação de novos produtos e empresas nos mercados de carbono e também no mercado de Cannabis (cânhamo e medicinal), o empreendedor brasileiro fica apenas olhando e criando iniciativas locais que exigem queimar muito capital antes de começar a faturar, devido a impossibilidade de operar no mercado interno.

Nós, como sociedade, devemos lutar por condições de liberdade e igualdade, que nos permitam empreender e ter livre iniciativa de gerar valor localmente, seja por meio de políticas de incentivo a agricultura para geração de créditos de carbono e recuperação ambiental ou por meio da inserção do cânhamo como commodity agrícola na matriz produtiva do agronegócio brasileiro (e que irá afetar positivamente várias indústrias locais, gerando emprego, renda e arrecadação de impostos para o Governo).

Até quando vamos ficar somente assistindo, enquanto o mundo todo se moderniza e se adapta aos novos tempos?

As opiniões veiculadas nesse artigo são pessoais e não correspondem, necessariamente, à posição do Sechat.

Sobre o autor:

Lorenzo Rolim da Silva é Engenheiro Agrônomo, presidente da LAIHA (Associação Latino-Americana de Cânhamo Industrial).

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