Sobre o mercado da cannabis, Bob Burnquist afirma: “Eu não tenho dúvida que vou acertar.”

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Bob Burnquist em evento sobre cannabis, o Cannabis Thinking, que aconteceu em São Paulo. (Créditos da imagem: Sechat/Jacqueline Passos)

Por Jacqueline Passos

Foi aos 11 anos que Robert Dean Silva Burnquist, ou Bob Burnquist, como é popularmente conhecido, ganhou o seu primeiro skate. Aos 13, ele já estava na sua primeira competição. Hoje, o skatista brasilo-estadunidense, que nasceu no Brasil, mas tem dupla nacionalidade por conta do pai que é americano, reúne várias conquistas, como o recorde de maior medalhista do X Games, com 30 medalhas, sendo 14 de ouro, 8 de prata e 8 de bronze. Ele também é o único atleta brasileiro que participou de todas as edições da competição americana desde sua criação, em 1995. Além disso, Bob foi o primeiro – e até agora o único – skatista a conseguir fazer a manobra fakie (Switch com a base nollie) 900º – salto feito com dois giros e meio no ar – na Megarrampa que ele possui em sua casa nos Estados Unidos.

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Agora, fora das rampas profissionais, Bob se empenha em novos projetos. Um deles é a Farmaleaf, empresa que comercializa óleo e cremes à base de cannabis. E foi sobre isso que conversamos com ele, em uma entrevista exclusiva, que aconteceu na última edição do Cannabis Thinking, evento organizado pela The Green Hub. 

Bob e a cannabis

A relação entre o skatista e a cannabis medicinal aconteceu quando ele descobriu que a planta podia ajudar na recuperação dele entre uma manobra e outra. Mas, isso aconteceu em uma época em que o tratamento com maconha ainda era um tabu e, foi exatamente isso que o atraiu. Ele conta que o skate, inclusive, também foi algo que o atraiu por conta da “não aceitação” e, como ele sempre teve uma personalidade rebelde, começou a andar com a prancha de rodas por ser algo contra a cultura. Bob via no skate uma possibilidade de expressão individual de arte. 

“O lance da maconha e da cannabis já era uma outra frente, mas também, [algo que me atraiu por ser] proibido? Ah legal! Então, na afronta e depois no entendimento de: “Caramba! Isso aqui me ajuda bastante”, que você vai aprendendo mais e mais. Aí o posicionamento veio com porrada, com briga, com gente falando, apontando o dedo. Só que eu já estava preparado, posicionado e já tinha compreendido a minha missão. Então, sim, sofremos vários preconceitos. Eu adoro ser tachado de skatista maconheiro, porque eu sei que o skatista maconheiro está na parte da verdade ajudando a solucionar algo da sociedade. Então, eu uso a minha imagem pra justamente isso, porque eu tenho respeito, não sou mais um skatista maconheiro. Eu tenho uma história, eu tenho conquistas, então, é difícil das pessoas argumentarem. Eu representei e represento o Brasil todos os dias com o maior orgulho. Então, eu sinto que eu também tenho que representar essa luta e vejo como uma manobra não acertada, que eu tento diversas vezes, até acertar. E eu não tenho dúvida que eu vou acertar.”

Bob Burnquist

Muito além da cannabis medicinal

Atualmente, sempre que o tema “cannabis” é trazido à tona, não se fala apenas sobre o uso medicinal. Questionamos Bob sobre o que a cannabis representava para ele e, além da cura e da startup que ele criou com Alex Atala, o skatista lembrou também sobre o aspecto social cada vez mais enraizado a planta. 

“A cannabis representa muitas coisas, né? Representa uma qualidade de vida, representa oportunidade de negócio, representa oportunidade de inclusão social, representa uma responsabilidade de justiça para quem foi e para quem está na cadeia por causa da cannabis. Porque a gente tá falando de mercado, mas tem gente que está presa por causa disso e existe essa responsabilidade também, porque as leis são usadas aleatoriamente. É negro? Então, vamos taxar de traficante. É branco? Ah, é usuário. E isso é real, é uma forma racista de opressão. Então, vamos mudar isso. E quando mudar a lei, como ficarão os que estão na cadeia? Vamos tirar, tem que sair! E a indenização desse povo que ficou lá dentro um tempão? É muita família destruída e muitas situações que não fazem mais sentido. Empreendedores que poderiam estar adicionando algo positivo para o país e o país está dando tiro no pé. Então, eu acho que ela [a cannabis] representa essa responsabilidade toda. E eu estou aqui para fazer parte da solução.”

Bob Burnquist
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Bob Burnquist em entrevista para o Sechat, que aconteceu no Civi-co durante o evento Cannabis Thinking. (Créditos da imagem: Sechat/Jacqueline Passos)

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Instituto Skate Cuida

A preocupação social do skatista também é vista por outras ações sociais, como o Instituto Skate Cuida, que tem sede no Rio de Janeiro. Apesar de ainda não ter relação direta com a cannabis, a organização tem programas de incentivo ao skate, não só como um esporte, mas também como uma oportunidade de trabalho, seja fazendo manobras ou atuando como um profissional do mercado.

“Agora estamos com programas de aula de skate, neurogames e treino cognitivo. Passamos a visão de identidade, competição, além de aprendizados de como filmar, como editar um filme, tem várias frentes para empoderar, dar informação, direcionar e até incentivar ao ensino superior. Se você gosta de skate, mas não for um profissional, você pode trabalhar [na área], por exemplo, ser químico e atuar na química da roda, estar na comunicação e começar uma revista de skate, então, queremos mostrar que tem esse mercado. O Instituto tenta mostrar tudo isso e dar uma inteligência emocional na hora da competição. Ele pode trabalhar desde a alta performance até o dia a dia. Tem muitas frentes que o skate alcança, porque o skate é inerentemente social e, independente de eu ter Instituto ou não, a gente sempre quer ajudar um ao outro. Já vi muitos casos de autistas que se prendem ao skate e gostam, porque não é só o skate, tem o treino cognitivo e o tratamento com a cannabis, pois já tem estudos do uso da cannabis em autistas. Só que a  cannabis é um produto caro, porque a lei faz com que você importe, como que alguém em uma comunidade vai comprar esse produto? Então, sim, eu quero eventualmente dentro do Instituto conseguir, de alguma maneira, trazer o produto e doar para essas pessoas, no mesmo caminho e veias e artérias do skate, por isso que é o Skate Cuida. O skate não cuida só de skate, o skate incentiva uma responsabilidade civil para o skatista como um todo.”

Bob Burnquist

A cannabis e o modelo de negócio

Foi por conta dos benefícios da cannabis vivenciados por Bob durante sua vida profissional, que ele decidiu criar uma empresa que levasse alívio e cura, não só para esportistas, mas também para todos aqueles que sofrem com algum tipo de dor. Assim surgiu a Farmaleaf, uma marca que exporta para o Brasil óleos e cremes à base de ervas naturais, sendo uma delas, a cannabis. 

“E o melhor de tudo é que não é o que se espera de um skatista maconheiro. As pessoas acham que eu vou lançar um monte de baseado. Não gente, não é isso. Eu sou um profissional de skate, fui Presidente da Confederação Brasileira de Skate. Estamos nas Olimpíadas, o CBD não é dopping, o THC não é dopping fora de competição, durante a competição ainda é, mas isso tudo vai mudar. E a gente tem que estar dentro da realidade. As regras são regras, então vamos entregar produtos que estão dentro das regras.”

Bob Burnquist

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Uma marca com viés holístico

Para Bob, a marca possui dois grandes diferenciais. O primeiro é a embalagem, que ele chama de “tarja verde”, uma referência à tarja preta, mas como se fosse algo natural e não controlado como são os remédios comercializados na farmácia. A ideia surgiu para trazer mais segurança e confiança para os pacientes, principalmente aqueles que ainda não estão habituados a cannabis. E o segundo, é a orientação holística que ele introduziu na marca. Para o skatista, a empresa não está apenas relacionada às medicações, mas também a alimentação, qualidade de vida e até a mentalização da cura: “Se eu quebro um osso, eu tenho até a visualização dele curando.”

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Embalagem de óleo de cannabis da Farmaleaf com tarja verde. (Créditos da imagem: Sechat/Jacqueline Passos)

“A Farmaleaf nasceu dessa necessidade. Aí, sendo brasileiro, eu entendi que [era preciso] uma identidade mais holística, mais focada em uma empresa à base de plantas e não necessariamente uma empresa da cannabis, porque a cannabis é uma das ervas, que ajuda muito, mas nós temos outras, como Moringa, Copaíba, Arnica, Camomila, ou seja, você pode compor. Então, com as variedades incríveis das plantas daqui, eu construí [a marca] em volta dessa identidade de plantas medicinais e cura, mas de uma maneira holística. Também criamos a tarja verde para ter essa pegada das plantas, mas com uma proposta de identidade da embalagem visualmente mais tradicional e, com isso, aterrissar de maneira mais amena para quem não é do ramo e não está acostumado, para alguém mais velho, que quer usar mas [ainda tem receio], aí ele vê a embalagem e sente o que está acontecendo. [A ideia é] trazer pessoas novas. (…) Se você sente dor, a Farmaleaf é para você. Ou seja, nos unimos, todos.”

Bob Burnquist

Amor ao esporte

Bob Burnquist viu na cannabis a oportunidade de proporcionar para outras pessoas, a mesma sensação que ele teve ao fazer o tratamento, enquanto participava de competições profissionais. Ao invés de curtir a “aposentadoria”, ele preferiu se engajar em causas sociais relacionadas à saúde e ao esporte, um amor que ele pretende nunca abandonar. 

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