Debate ‘Cannabusiness’ mostra esperança e frustração dos empresários brasileiros

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Palestrantes do seminário Cannabusiness: potencial nacional e segmentos de negócios (Fotos: Marcus Bruno/ Sechat)

Marcus Bruno

Investidores e empresários da área de cannabis medicinal se reuniram na manhã desta sexta-feira (18) no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo, para mais um debate sobre o setor, o segundo promovido pela plataforma Lide Futuro.

O seminário ‘Cannabusiness: potencial nacional e segmentos de negócios’ trouxe ainda a senadora e paciente Mara Gabrilli (PSDB/SP) ao palco, que certamente foi a grande estrela do evento.

“Somos aceleradores de um processo inevitável, a gente já avançou muito e, discutindo, nós vamos avançar muito mais”, destacou a parlamentar, que contou toda sua trajetória no Congresso, desde 2014, pela regulamentação da cannabis. 

Foi também o primeiro grande evento de negócios com maconha medicinal a trazer uma associação de pacientes para o debate. Cassiano Teixeira, diretor da Abrace Esperança, levou à plateia a história da entidade, única autorizada a cultivar cannabis e produzir remédio para mais de 2 mil pacientes.

Cassiano informou que hoje há mais de 400 pacientes na fila de espera para atendimento e que está em São Paulo em busca de novas estufas e infraestrutura para ampliar o plantio. Que ser a única entidade autorizada faz com que a Abrace não consiga atender à demanda. Ele, no entanto, alertou que curar os pacientes deve vir antes do lucro:

“A gente não pode deixar o dinheiro, e isso que está sendo usado contra a gente, o Osmar Terra criticou que o capital está vindo com tudo, então a gente precisa colocar o coração nisso, e os pacientes são o motivo da Abrace existir, que é salvar vidas”.

José Bacellar, CEO da VerdeMed, elogiou o trabalho da entidade e disse que a futura regulamentação não irá colocá-la em risco. Lembrou que no Canadá, onde a empresa está sediada, mas também nos EUA, são garantidos por lei tanto o cultivo individual, quanto o associativo, bem como por empresas e farmacêuticas.

“Então são graus de regulamentação diferentes que podem conviver harmonicamente. Não há por que ao se passar uma Lei de cultivo, fechar a Abrace”. 

Marcelo Galvão fala durante painel sobre as novas oportunidades com a regulação

“Hemp brasileiro pode ser o mais barato do mundo”

Os debatedores mostraram um sentimento um tanto pessimista, devido ao adiamento da votação na Anvisa. O advogado Arthur Arsuffi, que está processando a União em nome de uma empresa que buscar plantar cânhamo, disse temer que o debate Congresso “tire o ímpeto da Anvisa regular”. 

Marcelo Galvão, CEO da OnixCann, foi mais otimista. Para o executivo, é possível uma regulamentação mais ampla no Brasil, que poderá tornar o país o produtor do cânhamo mais barato do mundo: 

“Na Colômbia, O custo de produção é muito inferior a Canadá e EUA, o que seria uma realidade para o Brasil também. Eu acredito que o hemp no Brasil vai ser o mais barato no mundo, porque ele pode ser rotação de cultura no Mato Grosso, em vez de algodão e milho. Não tem custo menor do que este”.

Caio Abreu, CEO da Entourage Phytolab, garantiu que é possível baratear drasticamente o custo da medicamentação, mas que para isso é necessário investir em pesquisa.

“A Entourage está aqui para desenvolver ciência no Brasil, com parceiros como a Unicamp e outras universidades, em breve teremos parcerias com universidade em outros estados,  e nosso objetivo é trazer um produto com alta qualidade e num preço que seja acessível. Hoje tem tratamento de R$ 5 mil reais por mês, e a gente poderá fazer ele custar 50 reais por mês”.

Caroline Heinz palestra olhando para senadora Mara Gabrilli

Caroline Heinz, vice-presidente da HempMeds Brasil, destacou não só o potencial de negócios da cannabis medicinal, mas também o industrial. A executiva, que mora nos EUA, destacou que o país há muito tempo já acordou para este setor, enquanto o Brasil prefere ficar parado.

“Podíamos pegar essa oportunidade, trazer saúde, trazer economia, seríamos grandes exportadores para o mundo inteiro, não só de medicamentos mas também de construção, têxtil, plástico, esquece o plástico, será tudo de hemp. Os países estão se movendo nessa corrente verde, mas nós estamos aqui aqui, parados, com o pé no buraco.

Ao encerrar o debate, Laís Macedo Ribeiro, CEO do Lide Futuro concluiu que o os empresários mostraram um sentimento otimista, mas ao mesmo tempo de frustração:

“A gente sai daqui com uma sensação de muita frustração e muito otimismo. Otimismo porque eu vejo como a gente está preparado, como o mercado já é maduro, mas frustração porque essas informações não chegam no sociedade civil e no poder público”.

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