Cânhamo e outros usos da cannabis são alternativas para o agronegócio

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Foto Ana Carolina Andrade

Por Ana Carolina Andrade

O agronegócio brasileiro pode se beneficiar muito da exploração dos diversos usos da cannabis. É o que concluem os debatedores do painel sobre os modelos de sucesso da cannabis no agronegócio. Agrônomo responsável pela maior área de produção de cânhamo industrial da América Latina, localizada no Paraguai, Lorenzo Rolim é presidente da Associação Latino-Americana de Cânhamo Industrial (LAIHA). Ele explica que ao contrário de outros derivados da cannabis que constam na Convenção de Drogas da ONU, a produção de cânhamo enquanto uma commodity agrícola nunca foi proibida. Há diversas possibilidades para o seu uso, do têxtil ao alimentício, com suas sementes e fibras, e existem muitos países no mundo onde é produzido em grande escala. De acordo com Rolim, na América Latina a indústria de cânhamo ainda é muito jovem e pequena, existindo no Uruguai, Colômbia, Paraguai, Equador e Chile.

Vizinho do Brasil, o Paraguai tem a produção de cânhamo regulamentada, e na opinião de Rolim é um local onde a oportunidade de se trabalhar com o cânhamo industrial foi realmente compreendida pelo governo. Na região, o foco da produção é na indústria alimentícia, com exportação especialmente para Europa, América do Norte e China.

Para Rolim, isto deve ocorrer no Brasil. “A gente precisa de uma regulamentação que entenda que a população aqui tem que ter acesso a isso. Quando eu falo de cânhamo industrial, eu estou falando de grão, de um alimento, isso não deve ser regulado. Deve ser vendido em supermercado. Se o produtor quiser dar para a galinha dele, precisa poder”, afirma.

Muito similar à soja, o grão de cânhamo é proteico e óleo gelatinoso, com alto teor de ômega 3 e ômega 6, sendo muito indicado para consumo humano. Segundo dados fornecidos por Rolim, o investimento na área é promissor, já que há uma demanda global por produtos vegetais. O consumo humano de proteína vegetal tem crescido muito, cerca de 5 a 6% ao ano, e apresenta tendência de crescimento neste ritmo.

Associação, busca caminho para regulamentação do setor

O advogado Rafael Arguri, que é Diretor Executivo da Associação Nacional do Cânhamo Industrial (ANC), trouxe a compreensão de sua entidade sobre o melhor caminho para garantir a regulamentação do setor. Para ele é necessário que a questão do cultivo em território nacional seja deixada de lado por um momento – com exceção do caso das associações sem fins lucrativos – para se buscar em um primeiro momento a liberação da importação dos produtos à base de cânhamo, que já seguem regulamentações internacionais. Com isso seria possível a importação de alimentos como azeites, farinha, e outro produtos e se direcionaria um esforço para uma regulamentação direta da Anvisa para importação desses produtos.

Com este método, Arguri acredita que marcos regulatórios seriam consolidados e haveria uma sinalização ao agronegócio de que se há interesse no produto, e possibilidades de convencimento de uma maior parte dos agentes do agronegócio de que esta é uma atividade rendável. “Este é um caminho que não envolve toda articulação de todos os parlamentares, de uma frente conservadora. É fazer uma coisa mais simples que se faz em qualquer mercado regulatório”, disse.

Para o agronegócio, há diferentes alternativas para sucesso com a cannabis

Na indústria da cannabis desde o seu início, Marco Algorta teve growshops, organizou clubes da planta e, em 2016, obteve os primeiros fundos de investimentos públicos para o setor do BID, com a sua Startup, a CannaPur. Em sua primeira afirmação, ele já diz que o maior modelo de sucesso da cannabis no agronegócio é a cannabis recreativa.

Algorta acredita que o sucesso do agronegócio do cânhamo só irá ocorrer com a desregulação, que é necessário reduzir a quantidade de regulações, pois o modelo de agronegócio não suporta o custo da regulação. Ele ainda explica que no modelo agroexportador da cannabis há muitas complexidades, e citou o caso da primeira exportação de flores com THC do Uruguai para Europa, onde foi necessária até uma autorização de um rei, em Dubai, país onde o produto faria uma escala.

“O Brasil tem que gerar acessibilidade, tem que gerar mercado interno, pois se não é muito produtor, e muito investidor que acaba perdendo dinheiro. Existe um mercado, mas é necessário trabalhar com muito profissionalismo e propriedade”, explica.

Experiência uruguaia indica caminhos para o setor

O uruguaio Juan Francisco Rodriguez, CFO da NetCann, abordou as dificuldades de enquadramento da produção de cânhamo em setores e a criação de marcos regulatórios. Ele explica que as produções da cannabis para diferentes fins requerem condições muito distintas, desde quantidade de hectares para plantação até o controle de qualidade, e que não há como a produção de cânhamo se enquadrar nos mesmos padrões que a da cannabis medicinal, com padrões de um produto farmacêutico. “O importante é saber em que setor estamos, e como cumprimos as regulamentações deste setor”, disse.

Ainda em relação à experiência uruguaia, Rodriguez lembra que a legalização construiu normas e um acompanhamento não só da cannabis medicinal e do cânhamo, mas também da cannabis recreativa, o que assegura o controle de qualidade.

Cânhamo é alternativa para melhoria do meio ambiente

O israelense Yoav Giladi, que é biólogo e cultivador chefe na PSC Group, acredita que precisamos aprender com a experiência de outros países. Cultivador de cânhamo no Colorado desde 2014, ele viu muitas empresas focarem na produção de CDB e quebrarem.

Para Giladi, a América Latina pode se focar na produção de cânhamo para alimentação, reforçando que a proteína do cânhamo é muito saudável. Ele ainda indica um uso muito importante, na recuperação da terra. “Há no Brasil muita terra e água poluída, é possível se cultivar nelas para material de construção, pois a planta absorve as toxinas da terra. O cânhamo faz a limpeza”, indica.

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