Canabinóide pouco conhecido pode ser a solução no tratamento de células cerebrais envelhecidas

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(Foto: Pexels/Alesia Kozik)

Por João R. Negromonte

Uma nova descoberta publicada na revista Free Radical Biology and Medicine revela que o Canabinol (CBN), canabinóide não psicoativo encontrado em algumas espécies da planta Cannabis, pode atuar como protetor das células cerebrais oxidadas devido ao seu envelhecimento. 

Mesmo que a maioria das pesquisas realizadas com a cannabis seja voltadas para os dois canabinóides mais conhecidos como o canabidiol (CBD) e o tetrahidrocanabinol (THC), cientistas de todo mundo já reconhecem a importância terapêutica de outros componentes derivados da planta.   

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O estudo, realizado pelo Instituto Salk (EUA), mostra como o CBN pode proteger as células nervosas do dano degenerativo – provável caminho para a morte celular – causado por alguns fatores como envelhecimento natural ou patológico como Alzheimer e Parkinson.

Pamela Maher autora sênior do estudo e professora de pesquisa e chefe do Laboratório de Neurobiologia Celular do Instituto Salk diz:

“Tal descoberta pode um dia levar ao desenvolvimento de novas terapêuticas para tratar essas doenças e outras neurodegenerativas”.

Proteção Mitocondrial

Estudos feitos anteriormente demonstram que o CBN apresenta propriedades moleculares parecidas com a do THC, mas sem o  princípio que causa o famoso “barato”. Entretanto, nunca foi muito claro o funcionamento desse componente… até agora.

Alguns pesquisadores sugerem que uma provável causa do Alzheimer seria a perda gradual de um antioxidante chamado glutationa, o que causa danos às células neurais e morte por oxidação lipídica. Dessa maneira, a equipe de Meher se aprofundou nos estudos do processo chamado de oxitose (que ocorre em cérebros envelhecidos), também conhecido como ferroptose, buscando assim, entender o funcionamento e o mecanismo que faz com que o CBN tenha a capacidade de proteger as células cerebrais.

No estudo, os cientistas trataram as células nervosas com CBN e, em seguida, introduziram um agente para estimular o dano oxidativo. Dessa forma, eles descobriram que o CBN atua na proteção das mitocôndrias (que funciona como uma espécie de usina de força das células dentro dos neurônios), que por sua vez, acabam se “enrolando” quando estão sob processo de oxidação. O mesmo procedimento, pode ser observado em células envelhecidas retiradas do cérebro de pessoas com doença de Alzheimer. O tratamento das células com CBN impediu que as mitocôndrias fizessem o processo de enovelamento – que nada mais é do que o processo de enrolar em forma de espiral -, mantendo assim o bom funcionamento dessas células. 

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Com intuito de confirmar essa interação entre as mitocôndrias e o CBN, os pesquisadores replicaram o experimento nas células nervosas onde as mitocôndrias foram retiradas. Neste caso, o canabinoide não demonstrou seu efeito protetor, caracterizando assim esta relação.

“Conseguimos mostrar diretamente que a manutenção da função mitocondrial era especificamente necessária para os efeitos protetores do composto”, disse Maher.  

100% seguro

Sabemos que o processo de interação entre canabinóides e seus receptores (CB1 e CB2) é o que causa os efeitos psicoativos. Assim, em uma outra descoberta importante, os pesquisadores mostraram também que o CBN não ativa esses receptores, fazendo com que essa terapia não cause efeitos colaterais, isto é, não deixe o indivíduo “alto” enquanto estiver sob efeito da substância. 

“O CBN não é uma substância controlada como o THC, o composto psicotrópico da cannabis, e as evidências mostraram que o CBN é seguro em animais e humanos. E uma vez que o CBN funciona independentemente dos receptores de canabinóides, ele também poderia funcionar numa vasta variedade de células com amplo potencial terapêutico”, afirma um dos autores do estudo, Zhibin Liang, e pós-doutorando no laboratório de Maher.

Além do Alzheimer, os cientistas afirmam, com as recentes descobertas, que o CBN poderia tratar outras doenças neurodegenerativas como o Parkinson, que está ligado também à perda da glutationa.  

“A disfunção mitocondrial está implicada em mudanças em vários tecidos, não apenas no cérebro e no envelhecimento. Então, o fato de esse composto ser capaz de manter a função mitocondrial sugere que poderia ter mais benefícios além do contexto da doença de Alzheimer”, disse Maher.

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A pesquisadora acrescenta ainda, que o estudo reforça a necessidade de mais pesquisas sobre os componentes da cannabis menos conhecidos, como o CBN, e que os próximos passos é a reprodução do ensaio em testes pré-clínicos, feitos em camundongos de laboratório.

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