Médico especialista destaca papel da cannabis na recuperação e desempenho esportivo

Estudo internacional aponta relação entre o uso de cannabis e maior prática de atividade física, enquanto o médico do esporte Jimmy Fardin explica os possíveis impactos na recuperação, no bem-estar e na adesão aos treinos

Publicada em 24/03/2026

Pessoa praticando exercício físico associada ao uso de cannabis e bem-estar | CanvaPro

Pessoa praticando exercício físico associada ao uso de cannabis e bem-estar | CanvaPro

Um novo estudo publicado na revista científica Springer aponta uma associação entre o consumo de cannabis e o aumento da prática de atividade física, especialmente em regiões onde a substância é legalizada. A pesquisa sugere que usuários apresentam maior prevalência de engajamento em exercícios, abrindo espaço para novas discussões sobre o papel da planta na saúde e no desempenho físico.

 

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Cannabis e rotina esportiva

 

Na prática clínica, essa relação já é observada por especialistas. Segundo o médico ortopedista e traumatologista Jimmy Fardin, colunista do Sechat e palestrante confirmado no Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal 2026, atletas convivem com uma série de desafios físicos e emocionais. “A cannabis é uma ferramenta muito importante para melhora dessas afecções uma vez que age no sistema endocanabinoide através dos canabinoides oriundos da planta”, afirma. Ele destaca que dores crônicas, inflamação, distúrbios do sono e ansiedade são comuns em atletas de alta performance.

 

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Médico Jimmy Fardin explica como a cannabis pode impactar a atividade física | Foto: Divulgação

Ainda de acordo com o especialista, em locais onde o uso é permitido, a cannabis pode contribuir para a disposição e continuidade da prática esportiva. “Ter como opção para diminuir as dores, melhorar a disposição, melhorar o sono, faz com que o individuo se sinta mais a vontade para fazer os exercícios”, explica.

Sistema endocanabinoide e desempenho

 

O estudo também aponta que a cannabis pode influenciar fatores como prazer, recuperação e adesão ao exercício. Para Fardin, esse efeito está ligado à modulação do sistema endocanabinoide. “A Anandamida e o 2 AG apresentam aumento da produção no exercício, porém são efêmeros e rapidamente degradados. Usando os canabinoides esse efeito é mais prolongado”, diz.

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Ele acrescenta que essa interação pode impactar diretamente o sistema de recompensa cerebral. “Isso melhora a ativação do sistema de recompensa cerebral assim aumentando o engajamento e a adesão, o bem estar principalmente durante e após o exercício”, completa.

Uso orientado ainda é essencial

 

Apesar dos avanços, o especialista reforça a necessidade de cautela. “Temos que ter cuidado para não banalizar o uso. Vejo muitos atletas utilizando sem orientação, sem protocolos”, alerta. Segundo ele, fatores como tipo de canabinoide, dose e momento de uso são determinantes para os resultados.

“A cannabis pode ser uma excelente aliada à prática de atividade física, mas saber qual canabinoide, a dose e o momento de usar é crucial”, afirma. Ele também destaca a importância da capacitação de equipes médicas e comissões esportivas para garantir o uso adequado e seguro.