Cannabis medicinal, ciência e troca: Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal fecha edição histórica em São Paulo
Último dia do evento reuniu especialistas, médicos, veterinários, pesquisadores e entusiastas em auditórios lotados para debater os avanços da cannabis medicinal nas áreas da saúde humana, animal, ciência, negócios e inovação
Publicada em 23/05/2026

Último dia do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal reúne centenas de pessoas em maratona de conhecimento | Sechat
O último dia do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal foi marcado por salas cheias, olhares atentos e discussões profundas sobre os caminhos da cannabis medicinal no Brasil e no mundo. Desde as primeiras palestras da manhã até os painéis de encerramento, o evento reuniu profissionais da saúde, pesquisadores, empresários, estudantes, pacientes e entusiastas em torno de um tema que, ano após ano, ganha mais espaço na ciência e na sociedade.

No módulo VetCannabis, a programação da manhã destacou os avanços da medicina veterinária canabinoide e reuniu médicos-veterinários, acadêmicos e especialistas interessados nas aplicações terapêuticas da planta em animais.
Entre os destaques esteve a apresentação do médico-veterinário Bruno Perozzo, que abordou o tema “THC: segurança aguda e crônica do uso do THC em cães”. Em uma palestra técnica e envolvente, o especialista chamou atenção para a necessidade de acompanhamento criterioso nos tratamentos com canabinoides.
“Frequentemente a administração crônica dele desenvolve tolerância, neuroadaptação, diminuição da expressão desses receptores e dessensibilização de CB1. Sinais compatíveis com abstinência, como diarreia, salivação, inquietação e tremores, podem aparecer. Então é preciso ser melhor estudado. Se for tirar o THC, a gente faz uma retirada gradativa”, explicou.
Durante a apresentação, Bruno também destacou a importância do monitoramento clínico em cães submetidos ao tratamento com THC, observando fatores como função hepática, alterações neurológicas, comportamento, frequência cardíaca e sinais clínicos diversos.
Na sequência, a médica veterinária Giulia Medeiros apresentou a palestra "Segurança Aguda do Uso do THC em Equinos" e envolveu sobre o assunto com os presentes.

Ao abordar o funcionamento do sistema endocanabinoide e sua relação com a experiência sexual, o especialista trouxe reflexões importantes sobre os limites entre plausibilidade biológica e comprovação clínica.
“Plausibilidade biológica é diferente de eficácia. Não é porque o sistema endocanabinóide age, ou tem um papel importante, que a gente vai ter uma eficácia clínica. Mecanismo não é desfecho clínico. Hipótese não é prova e o potencial terapêutico não é promessa de resultado”, afirmou.
Com leveza e bom humor, Wellington também reforçou a importância da medicina baseada em evidências ao discutir os desafios da transposição de estudos laboratoriais para resultados clínicos em humanos.
Além dos debates sobre saúde humana e animal, a programação deste sábado também contou com palestras voltadas para pesquisa científica, regulação, empreendedorismo, inovação e desenvolvimento do mercado canábico. Ao longo do dia, especialistas nacionais e internacionais passaram pelos auditórios compartilhando experiências e apontando tendências para os próximos anos do setor.

Depois de três dias intensos de conteúdo, conexões e debates, o evento encerrou sua edição de 2026 deixando uma expectativa já compartilhada entre os participantes: no próximo ano, tem mais.


