Saúde

"É nossa obrigação pautarmos esse assunto", afirma diretora da Anvisa em seminário sobre cannabis medicinal

"É nossa obrigação pautarmos esse assunto", afirma diretora da Anvisa em seminário sobre cannabis medicinal

O Rio de Janeiro recebeu neste final de semana (29 e 30) o 2º Seminário Internacional de Cannabis Medicinal, promovido pela Apepi em parceria com a Fiocruz. O evento reuniu palestrantes de sete países e um público que esgotou os ingressos no histórico prédio do IED, na Urca. Após uma abertura com discursos emocionados, a diretora de Articulação do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária, Alessandra Bastos Soares, falou sobre o papel da agência na regulação da cannabis no Brasil e disse que a entidade tem obrigação de pautar este assunto.

"Como farmacêutica que sou, me sinto privilegiada de estar aqui, e como Anvisa, me sinto muito agradecida por ter sido convidada. Sei que ainda é um assunto difícil na Anvisa, mas não é só coragem, é uma responsabilidade da agência.

Ela garantiu que a Anvisa está tratando as consultas públicas com muita seriedade e agradeceu a participação popular.

"A agência entende sua responsabilidade. Esse tema está na norma da agenda regulatória 2017-2020 e é nossa obrigação pautarmos esse assunto, porque é impossível dar as costas para tantas notícias que chegam. São mães, pacientes, médicos, associações que nos procuram". 

Alessandra ponderou que a agência possui tem um escopo de trabalho limitado por normas e leis e alertou que os diretores podem ser responsabilizados criminalmente por suas decisões. Por isso, pediu que a mobilização de pacientes, associações, pais e mães continue.

"A Agência é pública. Provoquem a casa. Queremos ser tão dinâmico quanto é a vida e nada está escrito em pedra. Queremos entregar uma regulamentação clara que trate de cultivo e registro da melhor forma".

Alessandra dividiu o palco com a presidente da Fundação Oswaldo Cruz, Nísia Trindade, o neurologista Eduardo Faveret, diretor do Instituto Estadual do Cérebro, e o professor João Menezes, do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. A mesa foi apresentada pela coordenadora da Apepi, Margarete Brito.

Foto: Gabriela Garcez/ Apepi