Vinícola francesa mistura vinho com cannabis

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Em 19 de novembro, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJEU) declarou, em nome da livre circulação de mercadorias, que a proibição francesa de CBD era ilegal (Foto: Brian Parker/Pexels)

Curadoria e edição de Sechat Conteúdo, com informações de World Today News

Pela primeira vez na França, um empresário da famosa região vinícola de Bordeaux lançou-se na mistura de vinho com CBD. O canabidiol é uma molécula relaxante encontrada na cannabis cuja comercialização explodiu nos últimos anos.

“Aos efeitos clássicos do álcool junta-se um relaxante”, explica Raphaël De Pablo, a face visível desta iniciativa batizada de Burdi W. “Um divertido vinho de entrada destinado a quebrar os códigos tradicionais do vinho”, conforme ele o apresenta.

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Aos 28 anos, De Pablo se juntou a um amigo enólogo para encontrar, primordialmente, “a mistura perfeita” entre vinho e CBD. Sobretudo, ao adicionar essa molécula de cannabis, o produto final legalmente deixa de ser vinho e se torna “uma bebida com sabor à base de vinho.”

O cânhamo utilizado na fabricação é coletado em um talhão explorado pelo empresário e depois enviado à Alemanha para extrair em laboratório o conjunto de moléculas de CBD, prática proibida na França, explica De Pablo.

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A lei francesa do CBD

A lei francesa apenas autoriza o cultivo e a comercialização de fibras e grãos de cânhamo. A exploração das folhas e flores da planta é proibida. Mas a legislação não para de mudar. Em 19 de novembro, o Tribunal de Justiça da União Europeia (TJEU) declarou, em nome da livre circulação de mercadorias, que a proibição francesa de CBD era ilegal.

Uma vez que, ao contrário da molécula THC (tetrahidrocanabinol), o CBD da cannabis não tem efeitos psicotrópicos e o CJEU não o considera um narcótico.

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“Minha cannabis é certificada do feijão até o produto final”, conforme afirma Raphaël De Pablo, que passou por um treinamento de dois anos na produção de cannabis terapêutica no Canadá.

10.500 garrafas 

Assim, o processo de fabricação do Burdi W, que é mantido em segredo para evitar a competição, mistura 250 miligramas de CBD com uvas locais “petit verdot” de Bordeaux, que mistura notas de groselha preta com as da cannabis.

Com rótulos fosforescentes e iniciais serigrafadas “CBD”, a garrafa é comercializada por meio de uma plataforma de financiamento participativo. A 34 euros a unidade, o Burdi W vendeu 10.500 garrafas até agora.

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“Há realmente um mercado, com mais pedidos do exterior do que da França”, confirma Raphaël De Pablo, já que sua garrafa está competindo com um produtor de Napa Valley, na Califórnia, com preços dez vezes mais altos.

De acordo com o Sindicato Profissional Francês do Cânhamo, o país tem cerca de 400 lojas especializadas na venda de CBD e produtos derivados como óleos, cosméticos, infusões, refeições, quase quatro vezes mais lojas desse tipo do que em 2018.

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