Para senadora, regulação da Anvisa não é a melhor, nem a mais justa; falta o cultivo

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Mara Gabrilli, durante palestra (Foto: Jaciara Aires)

Por Valéria França

Presidente da Subcomissão Temporária de Doenças Raras, a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP) virou referência no setor de Cannabis medicinal, em 2019. Sabe-se que muitas doenças raras, como a epilepsia, podem ser tratadas com Cannabis medicinal. A conexão poderia ter surgido daí. Mas foi um depoimento espontâneo e emocionado, contando que ela usa a Cannabis medicinal para conter espasmos musculares agressivos, que lhe deu mais propriedade ainda na discussão. O depoimento foi tão forte que mudou a opinião de muitos colegas resistentes à regulação.

Gabrilli mexe muito pouco do pescoço para baixo, desde que sofreu um acidente de carro na juventude. Ela contou que deixou de ser uma pessoa deitada e entubada graças a possibilidade que teve de se tratar com Cannabis medicinal no exterior. O discurso foi durante a votação da CDH (Comissão de Direitos Humanos) para transformar a sugestão nº6 de 2016 em Projeto de Lei. O documento pede a regulação do comércio e do cultivo da Cannabis medicinal.

Esta semana, quase seis meses depois e com regulação de comércio aprovada na Anvisa, o Sechat entrevistou a senadora para saber as perspectivas para este ano.

Sechat- Como a senhora enxerga esse momento da Cannabis, pós regulação da Anvisa?
MG –Temos de comemorar o grande avanço. Parabéns à Anvisa. Ela foi adiante. Porém, a regulação não é a ideal, nem a mais justa. O cenário da regulação para os mais pobres não está bom. Faltou a aprovação do plantio para o fim industrial e fármaco, que possibilitaria medicamentos acessíveis a todos.

Sechat – Na sua opinião o cultivo é necessário?
MG – Já imaginou a quantidade de pessoas que vai querer usar o produto? Com um território como o Brasil, com clima e solo favorável ao plantio, é inexplicável não ter o cultivo. Olha o agronegócio no estado de São Paulo. Vem gente do mundo inteiro para ver nossas produções. É inacreditável o Brasil ficar fora dessa fatia da economia.

Sechat – A senhor acha que Israel seria um bom exemplo para os deputados da comissão especial da Cannabis se espelharem?
MG – É muito oportuno falar aqui de Israel. O país cultiva e regulou a exportação, mas está importando uma grande remessa –2,5 toneladas a granel –de Cannabis. Isso porque ele quer aumentar o acesso à Cannabis. Estão produzindo muitos medicamentos derivados. Porém, a produção interna não está dando conta da utilização. Israel não é um líder de exportação, mas um líder na utilização dos produtos à base de Cannabis. Segundo o Ministério de Saúde de Israel, a tecnologia melhorou a vida de milhares de pessoas e o acesso foi progressivamente aumentando. Hoje 40 mil israelenses consomem medicamentos de Cannabis. O Estado contabiliza que 550 fazendas tenham pedido licença de cultivo.

Sechat – Muitos falam da possibilidade de o Brasil ser o líder mundial em cultivo. O que a senhora acha desta afirmação?
MG – Acho muito coerente. Já temos até para quem vender. Isael é um deserto. O Brasil tem excelente clima e solo. As dimensões do país são continentais.

Sechat – No que mais o Brasil pode contribuir para a melhora dessa economia global?
MG – É muito importante a aproximação dos nossos profissionais com os que prescrevem há mais tempo. Chegará uma hora que teremos expertise para exportar o knowhow. Esses eventos e simpósios são importantes para a troca de experiências. Isso vai ser uma bola de neve até chegarmos em tecnologia. Temos muita tecnologia no mundo agro. Na medicina, estamos adiantados.

Sechat –Muitas pessoas a procuram no gabinete por causa da Cannabis?
MG – Muita gente aparece no gabinete. Desde quem produz até quem quer comercializar, importar e prescrever. Eu acabei virando uma referência. Eu tento fazer acontecer para as pessoas tenham informação. A gente procura ir aprendendo com as demandas.

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