Psicodélicos e cannabis: pesquisadora analisa nova fronteira da ciência
Michelle Lanza avalia como pesquisas com psilocibina, ibogaína e cannabis medicinal estão aproximando o Brasil dos debates científicos internacionais
Publicada em 13/03/2026

Arte psicodélica representa o avanço das pesquisas científicas com substâncias como psilocibina. Foto: Canva Pro
O avanço das pesquisas envolvendo cannabis medicinal e substâncias psicodélicas tem ampliado o debate global sobre inovação terapêutica, saúde mental e novas abordagens científicas para o tratamento de doenças complexas. Nos últimos anos, estudos com psilocibina, composto presente em cogumelos psicodélicos, passaram a receber atenção crescente de universidades e centros de pesquisa ao redor do mundo.
Estudo mostra como a psilocibina reorganiza redes corticais no cérebro
Esse movimento acompanha o chamado renascimento psicodélico, fenômeno científico e econômico que vem impulsionando novos estudos clínicos e investimentos em biotecnologia.
O boom financeiro dos psicodélicos e o avanço das pesquisas
Além da psilocibina, revisões científicas recentes também apontam possíveis aplicações terapêuticas de compostos psicodélicos no tratamento de dependência química e outros transtornos de saúde mental.
Cogumelos psicodélicos podem ajudar no tratamento da dependência

De acordo com a pesquisadora Michelle Lanza, que atua na área de pesquisa e desenvolvimento aplicada à cannabis, psicodélicos e fitoterapia, diferentes campos da ciência começam a convergir em um movimento que pode redefinir parte da medicina nos próximos anos.
Segundo ela, o crescimento do setor não se resume ao surgimento de novas substâncias, mas envolve também a construção de bases científicas sólidas, protocolos educacionais e modelos estruturados de pesquisa.
“Grande parte do mercado ainda está focada na prescrição ou na divulgação básica de informações. Meu trabalho está mais concentrado na estrutura técnica que sustenta esse crescimento”, explica.
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Psilocibina e ibogaína ampliam debate científico
Entre as substâncias que mais despertam interesse da comunidade científica estão psilocibina e ibogaína. Estudos conduzidos em centros de pesquisa nos Estados Unidos e na Europa analisam o potencial desses compostos no tratamento de depressão resistente, transtorno de estresse pós-traumático e dependência química.
Paralelamente, a cannabis medicinal segue ampliando seu corpo de evidências científicas relacionadas ao funcionamento do sistema endocanabinoide, responsável por regular diversos processos fisiológicos do organismo, como dor, inflamação, humor e resposta ao estresse.
Para Michelle Lanza, a evolução dessas pesquisas demonstra que diferentes áreas da ciência começam a dialogar de maneira mais integrada.
Convergência entre cannabis, psicodélicos e bioeletromagnetismo
Outra frente emergente de investigação envolve a interação entre compostos botânicos e estímulos biofísicos, campo estudado dentro da área conhecida como bioeletromagnetismo.
Essa linha de pesquisa analisa como determinados estímulos eletromagnéticos podem influenciar processos biológicos, incluindo comunicação celular, regulação inflamatória e mecanismos ligados à neuroplasticidade.
A hipótese explorada por alguns centros científicos é que a combinação entre compostos naturais e estímulos biofísicos específicos possa contribuir para novas abordagens terapêuticas.
“Quando essas três áreas começam a dialogar — cannabis, psicodélicos e bioeletromagnetismo — surge uma das frentes mais promissoras da pesquisa terapêutica para os próximos anos”, afirma.
Brasil começa a reduzir distância científica
Historicamente, o Brasil acompanhou o desenvolvimento da pesquisa em cannabis medicinal e psicodélicos com um atraso estimado entre cinco e oito anos em relação a países como Estados Unidos, Canadá e Alemanha.
Nos últimos anos, porém, esse cenário começou a mudar. O crescimento da produção científica nacional, a ampliação da formação médica especializada e o fortalecimento de associações de pacientes contribuíram para ampliar o debate técnico no país.
Segundo Michelle Lanza, o volume de discussões científicas brasileiras sobre o tema tem aumentado de forma significativa, aproximando o país das principais agendas internacionais de pesquisa.
Esse movimento começa a reduzir a distância histórica entre o Brasil e centros globais mais consolidados.
Pesquisa, formação profissional e regulação
Para os próximos anos, o avanço do setor no Brasil depende da consolidação de três pilares principais: produção científica estruturada, formação profissional qualificada e evolução do ambiente regulatório.
O fortalecimento desses elementos tende a ampliar a segurança científica no uso terapêutico de compostos naturais e incentivar novos projetos de inovação.
Na avaliação de Michelle Lanza, o país vive um momento de transição em que cannabis medicinal e psicodélicos passam gradualmente a integrar debates mais amplos sobre ciência, saúde mental e desenvolvimento tecnológico.
“Vejo o Brasil entrando em um ciclo de maturidade no campo da cannabis medicinal e dos psicodélicos. Profissionais que estruturarem suas bases agora estarão preparados para um cenário muito mais robusto nos próximos anos”, conclui.
O que são psicodélicos e por que voltaram ao centro da ciência?
Os psicodélicos são substâncias que alteram a percepção, cognição e consciência. Entre os compostos mais estudados atualmente estão a psilocibina, presente em cogumelos psicodélicos, e a ibogaína, investigada por seu potencial terapêutico em tratamentos de dependência química.
Nos últimos anos, universidades e centros de pesquisa voltaram a estudar essas substâncias dentro de protocolos científicos rigorosos, analisando possíveis aplicações em áreas como depressão resistente, transtorno de estresse pós-traumático e saúde mental.
Esse movimento é frequentemente chamado de renascimento psicodélico, período marcado pelo crescimento de estudos clínicos, investimentos em biotecnologia e debates regulatórios em diversos países.
Perguntas frequentes sobre psicodélicos e cannabis medicinal
O que é psilocibina?
A psilocibina é um composto natural encontrado em determinadas espécies de cogumelos psicodélicos e vem sendo estudada por seu potencial terapêutico em tratamentos relacionados à saúde mental.
Psicodélicos já são usados na medicina?
Diversos estudos clínicos estão em andamento em universidades e centros de pesquisa, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, investigando aplicações terapêuticas dessas substâncias.
Qual a relação entre cannabis e psicodélicos na pesquisa científica?
Embora sejam substâncias diferentes, ambas fazem parte de um movimento científico que investiga compostos naturais e seus possíveis efeitos terapêuticos no organismo.
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