Por que 20/4 se tornou o “feriado” da cannabis? Entenda a origem do 420

Entenda a verdadeira origem do 420, o “feriado” da cannabis, e como a data se tornou um símbolo global da cultura canábica.

Publicada em 21/04/2026

Cultivo de cannabis ganha espaço em modelos coletivos como os clubes em Cali, na Colômbia | CanvaPro

Planta de cannabis simboliza o 4:20, horário que deu origem ao código mais famoso da cultura canábica.

 

O dia 20 de abril, conhecido globalmente como “420”, se consolidou como uma data simbólica da cultura da cannabis — mas sua origem está longe dos mitos populares que circulam há décadas.

De acordo com uma reportagem da revista TIME, publicada originalmente nos Estados Unidos, 88% dos adultos americanos acreditam que o uso recreativo ou medicinal da maconha deveria ser legal, segundo pesquisa do Pew Research Center de 2024. Esse cenário reflete um avanço significativo: nas últimas duas décadas, 24 estados norte-americanos, além do Distrito de Columbia e Guam, legalizaram o uso recreativo da cannabis.

Com isso, o 20/4 passou a ser celebrado abertamente por usuários e simpatizantes. Ainda assim, a história por trás da data segue cercada de desinformação.

Entre os mitos mais comuns estão a ideia de que “420” seria um código policial para consumo de maconha, uma suposta ligação com o aniversário de Adolf Hitler, ou até uma referência à música “Rainy Day Women #12 & 35”, de Bob Dylan. No entanto, todas essas teorias são consideradas falsas.

A origem real do 420

A explicação mais aceita remonta a 1971, no Condado de Marin, na Califórnia. Segundo a TIME, cinco estudantes da San Rafael High School — Steve Capper, Dave Reddix, Jeffrey Noel, Larry Schwartz e Mark Gravich — se reuniam diariamente às 16h20 próximo à estátua de Louis Pasteur.

O horário foi escolhido por conveniência: era quando as atividades extracurriculares já haviam terminado. O grupo ficou conhecido como “Waldos”, pois costumava se encontrar próximo a uma parede (“wall”, em inglês), e passou a usar o termo “420” como código interno para se referir à maconha.

Em entrevista à TIME em 2017, Dave Reddix relembrou o contexto da época:

“Ficamos cansados da cena de futebol americano de sexta-feira à noite, com todos os atletas. Éramos os caras sentados debaixo das arquibancadas fumando um cocô, imaginando o que estávamos fazendo ali.”

Da escola para o mundo

O termo ganhou força anos depois, quando Reddix teve contato com a banda Grateful Dead. Seu irmão o ajudou a conseguir um trabalho como roadie para o baixista Phil Lesh, o que aproximou o grupo da cena musical.

Em 28 de dezembro de 1990, fãs da banda distribuíram panfletos em Oakland convidando o público para fumar maconha coletivamente no dia 20 de abril, às 16h20. Um desses panfletos chegou às mãos de Steve Bloom, então repórter da revista High Times, referência na cultura canábica.

A publicação ajudou a difundir o termo mundialmente. Em 1998, a própria revista reconheceu os “Waldos” como os criadores do código “420”.

Bloom, hoje editor do site Celebstoner, destacou o impacto da iniciativa em declaração à TIME:

“Eles queriam que pessoas do mundo todo se reunissem um dia por ano e fumassem maconha coletivamente ao mesmo tempo. Eles deram origem à ideia de um feriado para maconheiros, que o dia 20 de abril se tornou.”

Cultura, mercado e simbolismo

O 20/4 evoluiu de um código entre estudantes para um fenômeno cultural global — e também para uma data estratégica no mercado da cannabis, especialmente em países onde a legalização avançou.

Mais do que uma celebração, o “420” se tornou um símbolo de transformação social, política e econômica em torno da planta.

Fonte: TIME