Instituto Ficus promove evento sobre bioeconomia e cannabis na manhã desta segunda-feira em São Paulo

Evento reúne especialistas para discutir bioeconomia, cannabis e os caminhos para reduzir a dependência do Brasil de insumos importados.

Publicada em 18/05/2026

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Evento do Instituto Ficus reúne especialistas nesta segunda-feira (18), em São Paulo, para debater bioeconomia, cannabis e o desenvolvimento de cadeias produtivas nacionais.. Foto: Sechat

Acontece na manhã desta segunda-feira (18), em São Paulo, o encontro “Empreendedorismo e Negócios de Base Natural”, reunindo especialistas, empreendedores e representantes do setor público para discutir caminhos concretos para o desenvolvimento da bioeconomia no Brasil.

Realizado no CIVI-CO, em Pinheiros, o evento — promovido pelo Instituto Ficus com apoio do Ministério do Empreendedorismo — coloca em pauta temas estratégicos como inovação, criação de novas cadeias produtivas e o potencial de culturas emergentes, como o cânhamo dentro da indústria nacional.

Um dos pontos centrais do debate é a forte dependência do Brasil de insumos importados, especialmente no contexto da cannabis medicinal. Atualmente, o insumo farmacêutico ativo (IFA) — base utilizada na formulação de medicamentos no país — é majoritariamente adquirido no exterior e apenas processado pela indústria nacional.

Durante o encontro, o presidente do Instituto Ficus, Bruno Pegoraro, chamou atenção para esse cenário: “99% do nosso IFA vem de fora. É mais um insumo que, se a gente não produzir aqui no Brasil, vai ficar à mercê do mercado externo.”

A declaração reforça um dos principais gargalos do setor: a ausência de produção nacional de insumo farmacêutico ativo (IFA), essencial para a fabricação de medicamentos à base de cannabis. Hoje, o Brasil ainda depende majoritariamente da importação desses insumos, o que impacta diretamente o custo, o acesso dos pacientes e a competitividade da indústria.

Esse cenário contrasta com avanços recentes no campo regulatório. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou a possibilidade de exportação de IFAs e produtos à base de cannabis produzidos no Brasil, abrindo espaço para a inserção do país no mercado global e o fortalecimento da cadeia produtiva nacional.

Na prática, o país vive um momento de transição: ao mesmo tempo em que ainda depende do insumo importado para abastecer sua indústria, começa a estruturar as bases para produzir, escalar e até exportar cannabis medicinal — um movimento que pode reduzir custos, ampliar o acesso e posicionar o Brasil como player relevante no setor.



O cânhamo industrial

 

Nesse contexto, o cânhamo industrial surge como uma alternativa estratégica. Além de suas aplicações na indústria farmacêutica, a planta tem potencial para impulsionar setores como o têxtil, construção civil, cosméticos e alimentação, ampliando as possibilidades da bioeconomia brasileira.

A programação do evento, que acontece ao longo da manhã, está dividida em três painéis:

  • Empreendedorismo e negócios de base natural
  • Mecanismos para desenvolver novas cadeias produtivas
  • Fomento à inovação de base natural

O encontro também busca aproximar diferentes atores do ecossistema — incluindo governo, iniciativa privada e academia — para construir soluções que viabilizem o desenvolvimento regulatório e produtivo dessas cadeias no país.

A discussão ganha relevância em um momento em que o Brasil avança, ainda que de forma gradual, na regulamentação da cannabis medicinal, mas segue com desafios estruturais para consolidar uma indústria nacional robusta.

A expectativa é que iniciativas como essa contribuam para acelerar o debate e fomentar políticas públicas que reduzam a dependência externa e posicionem o Brasil como protagonista na bioeconomia global.