Gilmar Mendes relata uso de cannabis medicinal e reforça debate que ganha força no Brasil
O ministro do STF Gilmar Mendes afirmou ter utilizado cannabis medicinal para tratamento de dores e criticou o modelo de guerra às drogas no Brasil, defendendo uma abordagem mais voltada à saúde pública
Publicada em 31/03/2026

O ministro do STF Gilmar Mendes afirmou ter utilizado cannabis medicinal para tratamento de dores e criticou o modelo de guerra às drogas no Brasil, defendendo uma abordagem mais voltada à saúde pública. Foto: Andressa Anholete/STF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, voltou a colocar a cannabis no centro do debate público ao relatar sua própria experiência com o uso medicinal da substância e criticar o modelo de combate às drogas adotado no Brasil. As declarações foram feitas durante participação no podcast Cannabis Hoje Pod, apresentado por Anita Krepp - palestrante confirmada no CBCM 2026, e repercutem em um momento de transformação regulatória e avanço do setor no país.
Experiência pessoal e comparação com Portugal
Durante a entrevista, o ministro contou que adquiriu cannabis medicinal em Portugal para aliviar dores e descreveu a experiência como simples e acessível. Segundo ele, o processo foi “descomplicado” e sem estigmas, comparando a compra a algo cotidiano.
A fala evidencia o contraste entre o modelo europeu e a realidade brasileira, onde o acesso ainda é burocrático e restrito, apesar dos avanços recentes na regulamentação e no aumento do número de pacientes.
Críticas à “guerra às drogas”
Gilmar Mendes foi direto ao criticar a política de repressão adotada historicamente no Brasil. Para ele, a chamada “guerra total às drogas” se mostrou ineficiente e contribuiu para distorções graves, como o encarceramento em massa e o fortalecimento de organizações criminosas.
O ministro destacou que muitos jovens acabam presos como traficantes por portar pequenas quantidades, o que, na prática, alimenta o ciclo de violência dentro do sistema prisional. Ele também apontou que a política atual apresenta vieses sociais e raciais, refletidos na forma como abordagens policiais são conduzidas.
STF e a mudança de paradigma
O posicionamento de Gilmar Mendes está alinhado à recente decisão do STF, que estabeleceu novos critérios para diferenciar usuários de traficantes. A Corte definiu um parâmetro de até 40 gramas ou seis plantas fêmeas para caracterizar o porte para uso pessoal — medida que, embora não legalize o consumo, retira sua natureza penal.
Segundo o ministro, o objetivo central da decisão foi “separar o traficante do usuário”, promovendo uma abordagem mais racional e menos punitiva. Ainda assim, ele reforçou que o tema está longe de se encerrar e que o país caminha para discussões mais amplas sobre políticas de drogas.
Debate deve avançar
Ao ser questionado sobre o futuro da regulação, Gilmar afirmou que o Brasil está “próximo” de expandir esse debate, inclusive para outras substâncias. Para ele, o caminho passa por reconhecer que o mercado já existe e que a regulação pode ser mais eficaz do que a proibição.
A fala reforça uma tendência global de revisão das políticas antidrogas, com foco em saúde pública, redução de danos e controle estatal.

Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal 2026
Esse cenário de transformação será um dos principais temas do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal 2026, que acontece entre os dias 21 e 23 de maio, no Transamérica Expo Center, em São Paulo.
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Entre os nomes confirmados está a jornalista Anita Krepp, que conduziu a entrevista com Gilmar Mendes. Sua presença reforça o papel da comunicação na ampliação do acesso à informação qualificada sobre cannabis medicinal.
O evento irá reunir médicos, pesquisadores, empresários e autoridades para discutir os rumos da regulação, o crescimento do mercado e as oportunidades em um setor que segue em expansão no Brasil.
Um novo momento para o Brasil
As declarações de Gilmar Mendes sintetizam um momento de virada. Entre decisões judiciais, avanços científicos e maior aceitação social, o país começa a redesenhar sua relação com a cannabis.
Mais do que uma pauta jurídica, o tema se consolida como uma questão de saúde pública, desenvolvimento econômico e inovação — e deve seguir no centro das discussões nos próximos anos.


