Cânhamo têxtil ganha protagonismo em seminário em SP
Evento reúne especialistas globais e reforça o potencial econômico e sustentável da fibra no Brasil
Publicada em 20/03/2026

Cânhamo têxtil em debate: seminário em São Paulo - Foto: Sechat
O cânhamo têxtil foi o centro de um debate estratégico realizado nesta sexta-feira (20), em São Paulo, durante o seminário “Cânhamo Têxtil: construindo o uso da fibra no contexto brasileiro”. O encontro reuniu especialistas nacionais e internacionais para discutir o potencial da fibra como motor de desenvolvimento econômico e responsabilidade socioambiental no país.
Cânhamo têxtil no Brasil: potencial econômico e sustentável
Ainda pouco explorado no Brasil, o cânhamo já integra cadeias produtivas consolidadas ao redor do mundo, movimentando bilhões de dólares e impulsionando setores como moda, construção civil e indústria farmacêutica. Reconhecida por sua durabilidade, respirabilidade, versatilidade e propriedades antibacterianas, a fibra surge como alternativa sustentável a matérias-primas de alto impacto ambiental.
Fibra de cânhamo ganha espaço na economia verde
Além das qualidades industriais, o cânhamo apresenta vantagens ecológicas relevantes. Dependendo do modelo de cultivo, a planta pode exigir pouca água, dispensar insumos químicos e contribuir para a regeneração do solo. Mesmo assim, o avanço do setor no Brasil ainda esbarra em desafios regulatórios e na escassez de conteúdo técnico-científico.
Seminário em São Paulo debate uso do cânhamo têxtil
Com o objetivo de ampliar o acesso à informação qualificada, o seminário promoveu uma imersão técnica sobre o tema, conectando experiências internacionais às demandas da indústria nacional. O evento foi organizado pelo Instituto Fashion Revolution Brasil e pela Fibershed Brasil.
Remi Loren destaca aplicações do cânhamo na moda sustentável

Durante o evento, o sueco Remi Loren, CEO e fundador da Ekolution, chamou atenção ao vestir uma camiseta polo produzida com cânhamo têxtil — um exemplo prático da aplicação da fibra na indústria da moda. Segundo ele, o Brasil possui condições ideais para liderar esse mercado.
"Para trabalhar com variedades de cânhamo que são aplicáveis no Brasil. Ter infraestrutura para processá-lo em termos de maquinário. Trabalhar com agricultores locais com experiência no cultivo de fibras naturais. O Brasil tem uma vasta indústria do algodão e deve trabalhar com o maquinário existente no Brasil para cottonização. Vejo um grande potencial", afirmou.
Infraestrutura do algodão pode impulsionar o cânhamo no Brasil
A fala de Loren reforça um ponto estratégico: o aproveitamento da estrutura já consolidada da cadeia do algodão pode acelerar a adoção do cânhamo, reduzindo custos e facilitando a transição para uma indústria mais sustentável.
Regulação do cânhamo industrial avança no país

O geógrafo e agrônomo Sergio Rocha também destacou a importância do momento regulatório brasileiro. "Nesse momento em que a Anvisa aprovou as RDCs para o início dos cultivos legais no país, é muito importante estar informado sobre o atual contexto do Brasil e o que podemos esperar para os próximos anos", disse o pesquisador, que também será palestrante no módulo Agro & Tech do Congresso Brasileiro da Cannabis Medicinal 2026.
Sustentabilidade na moda: o papel do cânhamo têxtil

Para Fernanda Simon, diretora executiva do Instituto Fashion Revolution Brasil, o seminário representa um passo importante na construção de pontes entre sustentabilidade e indústria. "Estamos aqui olhando para a moda e para a sustentabilidade, criando pontes e criando formas de avançar com essas agendas", afirmou.
Ela também reforçou o potencial da fibra: "O cânhamo têxtil é uma das fibras mais antigas da humanidade e pode trazer vários benefícios para quem usa, para a indústria e para o solo. Existem muitas possibilidades econômicas, sociais e ambientais que podem ser desenvolvidas a partir do cânhamo têxtil no Brasil".
Cânhamo pode transformar a indústria têxtil brasileira
O evento contou com apoio institucional do Instituto Ficus, da Frente Parlamentar da Cannabis Medicinal e do Cânhamo Industrial, além dos deputados Caio França e Eduardo Suplicy, e realização do Governo do Estado de São Paulo (Indústrias Criativas) e SP Cult.