Canabidiol pode retardar avanço do Alzheimer
Estudos indicam que o CBD pode reduzir danos cerebrais e melhorar a memória, mas especialistas ainda pedem mais evidências clínicas
Publicada em 16/04/2026

Estudos indicam que o CBD pode reduzir danos cerebrais associados ao Alzheimer
Por Gabriel Nascimento – Rádio Cultura FM / Agência Brasil
Estudos indicam que o CBD pode reduzir danos cerebrais e melhorar a memória, mas especialistas ainda pedem mais evidências clínicas
O Alzheimer é um transtorno neurodegenerativo progressivo e a forma mais comum de demência, responsável por 60% a 80% dos casos em idosos. Quando as proteínas anormais beta-amiloide e tau se acumulam no cérebro, isso resulta na morte de neurônios, perda de memória, declínio cognitivo e alterações de comportamento.
Não existe uma cura específica para estes sintomas, porém, existem formas de prevenir e retardar o desenvolvimento deles. Uma delas é o canabidiol. Experimentos feitos com camundongos mostraram que o composto foi capaz de reduzir o acúmulo de toxicidades na massa encefálica, restaurar conexões entre neurônios e melhorar a memória dos animais.
O Dr. Arthur Jatobá, médico especialista em neurologia, destaca que 500 componentes químicos podem ser extraídos da planta da maconha, a Cannabis sativa.
"Dentre esses componentes, aproximadamente cento e poucos são considerados canabinoides. E dois deles, que é o CBD, que é o canabidiol, e o THC, que é o tetraidrocanabinol, são usados com fins medicinais. E dentro da neurologia, hoje a gente sabe que as principais indicações são a epilepsia refratária, pacientes com dores crônicas e em pacientes com esclerose múltipla que apresentam espasticidade, que é um tipo de rigidez".
Um aspecto que chama a atenção deste composto natural é o fato de ele não provocar os efeitos psicoativos associados ao tetraidrocanabinol, o que o torna um candidato mais seguro para estudos clínicos. Arthur Jatobá ressalta que as pesquisas em laboratório mostram que essa substância tem efeitos neuroprotetores.
"Como efeitos anti-inflamatórios e antibeta-amiloide. São duas das principais alterações que a gente vê na doença de Alzheimer. A gente ainda não tem estudos grandes e robustos com uma grande quantidade de pacientes para poder avaliar melhor os possíveis benefícios dessas substâncias. A gente vê na prática do dia a dia e em alguns estudos que os pacientes que mais se beneficiam dessas substâncias são aqueles que têm alterações comportamentais importantes".
O estudo em questão foi conduzido por cientistas da Universidade de Shenzhen, da Academia Chinesa de Ciências e outras instituições. Foi publicado em 19 de março na revista Molecular Psychiatry.
O canabidiol é um composto não psicoativo da Cannabis sativa, usado para tratar epilepsia refratária, dores crônicas como a fibromialgia, ansiedade, autismo e Alzheimer, agindo no sistema endocanabinoide.


