Análise de esgoto urbano mostra diferença no consumo de cannabis e cocaína entre Madri e Barcelona
Pesquisa baseada em quase 400 amostras de águas residuais coletadas entre 2023 e 2025 indica maior presença de metabólitos de cocaína em Madri e níveis mais elevados de cannabis em Barcelona, revelando diferentes padrões urbanos de consumo
Publicada em 13/03/2026

Estudo analisa metabólitos de substâncias detectados em estações de tratamento de esgoto de Madri | CanvaPro
As cidades também revelam seus hábitos através do que corre pelos sistemas de esgoto. Em Madri, um estudo baseado na análise de águas residuais identificou maior presença de metabólitos de cocaína do que em Barcelona, enquanto os indicadores ligados à cannabis aparecem em nível significativamente menor. A pesquisa foi conduzida pela Madrid Salud em parceria com a Universidade Complutense e analisou quase 400 amostras coletadas entre dezembro de 2023 e outubro de 2025.
Segundo o levantamento, os dados permitem observar tendências populacionais de consumo e contribuir para o planejamento de políticas de saúde pública, metodologia que vem sendo discutida em estudos sobre efeitos da cannabis no organismo e comportamento populacional.
Análise das águas residuais revela padrões de consumo nas cidades
De acordo com a reportagem publicada pelo portal Cáñamo, o estudo analisou amostras provenientes das oito estações de tratamento de esgoto da capital espanhola. O método mede metabólitos, compostos eliminados pelo organismo após o consumo de determinadas substâncias, detectados nas águas residuais.
Essas análises permitem estimar padrões de consumo em escala populacional sem identificar indivíduos.
Os resultados indicam que a cocaína e a cannabis são as substâncias ilícitas mais presentes nas águas residuais de Madri. Em seguida aparecem MDMA, metanfetamina e anfetamina. Pesquisas científicas sobre o comportamento dessas substâncias também aparecem em estudos sobre inflamação e cannabis na ansiedade, tema investigado por universidades internacionais.
Madri supera Barcelona em resíduos de cocaína
Os dados mostram que Madri registra 369 miligramas de cocaína por mil habitantes por dia, número ligeiramente superior aos 349,4 miligramas observados em Barcelona.
No caso da cannabis, a situação se inverte: Madri apresenta 77,2 miligramas por mil habitantes diariamente, enquanto Barcelona registra 220,7 miligramas.
Ainda segundo a reportagem do portal Cáñamo, esses números se referem apenas aos metabólitos detectados no esgoto, não representando contagem direta de consumidores ou prevalência individual. O debate sobre o monitoramento de substâncias psicoativas também aparece em discussões internacionais sobre regulação e reclassificação da cannabis.
Estudo utiliza recorte metodológico para comparação europeia
O relatório também destaca que os dados comparativos com outras cidades foram calculados a partir da média de abril de 2024 das oito estações de tratamento de Madri. Essa metodologia foi adotada para alinhar os resultados com a linha de base utilizada pela agência europeia responsável por estudos de epidemiologia em águas residuais.
Embora o estudo completo tenha analisado o período entre dezembro de 2023 e outubro de 2025, o panorama comparativo utiliza esse recorte específico para padronização internacional.
Diferenças entre cidades e padrões de uso
Na comparação com outras capitais europeias, Madri aparece abaixo de Lisboa no consumo de cocaína e muito atrás de Amsterdã em relação à cannabis, MDMA e ketamina.
A análise das águas residuais também evidencia diferenças no padrão temporal de uso das substâncias. O consumo de cannabis tende a ocorrer de forma mais distribuída ao longo da semana, enquanto o MDMA apresenta picos associados ao uso recreativo nos fins de semana.
Estudos desse tipo vêm sendo utilizados em diferentes países para observar tendências urbanas relacionadas ao consumo de substâncias psicoativas.
Dados complementam pesquisas e indicadores de saúde pública
A Madrid Salud apresentou também os resultados como uma ferramenta complementar a outras fontes de informação, como pesquisas populacionais, apreensões policiais e dados do sistema de saúde.
Segundo o portal Cañamo, essa combinação de indicadores ajuda a ampliar a compreensão sobre o fenômeno do consumo de drogas em ambientes urbanos, oferecendo uma escala metropolitana que nem sempre é captada por outros métodos de monitoramento.
Fonte: com informações originalmente publicadas pelo portal Cañamo.