Câncer de colo de útero: o que os estudos dizem sobre o efeitos da cannabis

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(Créditos da imagem: Pexels/Nadezhda Moryak)

Por Jacqueline Passos

Hoje, o câncer de colo do útero é o quarto câncer mais incidente em mulheres – se desconsiderarmos o câncer de pele não melanoma – e é também a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Mas diversos estudos vêm demonstrando os efeitos positivos da cannabis em mulheres diagnosticadas com esse tipo de doença, não só durante a quimioterapia, como também numa possível diminuição dos tumores.

Redução dos tumores

Em 2016, um estudo avaliou se o canabidiol (CBD) poderia inibir o crescimento celular e induzir a apoptose – em outras palavras, fazer com que as células cancerígenas se matem – em células cancerígenas do colo do útero entre mulheres na África do Sul. A conclusão foi que sim, o canabidiol previne o crescimento celular e induz a morte celular em linhagens celulares de câncer do colo do útero. Os pesquisadores acreditam que o CBD foi eficaz ao ativar uma via de degradação do Bcl-2, que promove a ação das células cancerígenas se matarem.

Um outro estudo de 2016 foi conduzido por pesquisadores do Departamento de Ciências Biológicas da Kent State University. Eles analisaram o impacto do CBD nas linhagens celulares de câncer do colo do útero. Mais uma vez, os pesquisadores comprovaram a eficácia do CBD, ao descobrir que o canabinoide é eficaz na inibição dessas linhagens celulares, ao mesmo tempo em que estimula a apoptose. Mas, o mais surpreendente foi que isso aconteceu em 24 horas após a exposição ao CBD. Os pesquisadores concluíram que o canabinoide é antiproliferativo por meio de vários mecanismos e tem potencial para tratar o câncer do colo do útero. 

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Diminuição nos efeitos colaterais da quimioterapia

As mulheres que se submetem à quimioterapia para tratar o câncer do colo do útero podem ter alguns efeitos colaterais desagradáveis, ​​que são comumente associados a esse tratamento. A cannabis pode ajudar não só diminuindo os efeitos colaterais e melhorando a qualidade de vida das pacientes, como também no prognóstico, uma vez que pode mitigar efeitos que chegam até a impedir que as pessoas continuem a quimioterapia. E, de fato, alguns estudos já mostram que a planta realmente auxilia mulheres com o câncer do colo do útero. 

Uma análise feita por pesquisadores da Universidade de Yale avaliou os efeitos dos canabinoides em mulheres com câncer de colo de útero. Das 31 pacientes com essa condição, 83% relataram que a cannabis forneceu alívio do câncer ou sintomas relacionados ao tratamento, incluindo diminuição do apetite (41%), insônia (41%), neuropatia (41%), ansiedade (35%), náusea (29%), dor nas articulações (29%), dor óssea (29%), dor abdominal (25%) e depressão (19%). Além disso, entre as mulheres que usaram os canabinoides para dor, 63% relataram uma redução no uso de opióides.

Em 2020, um estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Sydney, juntamente com o NHMRC Clinical Trials Center e o Chris O’Brien Lifehouse. Eles encontraram grandes melhorias entre os pacientes que sofriam de náuseas e vômitos causados ​​pela quimioterapia. Dentre o grupo analisado, um quarto não apresentou vômitos e náuseas, em comparação com 14% das pessoas que tomaram placebo.

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No entanto, uma nova fase do teste está em andamento para “determinar com muito mais certeza quão eficaz é a cannabis medicinal e se deve ser considerada para uso no tratamento de rotina do câncer”, afirmou o pesquisador-chefe, Peter Grimison , professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade de Sydney e oncologista da Chris O’Brien Lifehouse.

Sobre o câncer de colo de útero

O câncer do colo do útero começa na superfície do colo do útero e afeta somente mulheres, normalmente com mais de 25 anos. O principal agente é o papilomavírus humano (HPV), responsável pelo aparecimento das verrugas genitais. Apesar do câncer de colo de útero só afetar mulheres, o HPV é sexualmente transmissível, também pode infectar os homens e estar associado ao surgimento do câncer de pênis. 

Mesmo com a existência de mais de uma centena de tipos diferentes do vírus do HPV, somente alguns estão associados ao tumor. São classificados como de alto risco os tipos 16, 18, 45 e 56; de baixo risco, os tipos 6, 11, 41, 42 e 44, e de risco intermediário os tipos  31, 33, 35, 51 e 52.

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Além dos tipos de vírus, outros fatores oferecem riscos às mulheres. São eles:

– Início precoce da atividade sexual;

– Múltiplos parceiros sexuais ou parceiros com vida sexual promíscua;

– Cigarro;

– Baixa imunidade;

– Não fazer o Papanicolaou com regularidade;

– Más condições de higiene;

– Histórico familiar.

Além do sexo seguro – com o uso da camisinha – para evitar a infecção, também há vacina contra o HPV, uma medida preventiva essencial. A imunização tem segurança e eficácia comprovadas. A vacina quadrivalente é aprovada para mulheres entre 9 a 45 anos e homens entre 9 e 26 anos, enquanto a vacina bivalente para mulheres entre 10 e 25 anos. 

Atualmente, meninas de 9 a 14 anos, meninos de 11 a 14 anos, pessoas que vivem com HIV e transplantados entre 9 e 26 anos (desde que estejam em acompanhamento médico) podem tomar a vacina contra o HPV gratuitamente pelo SUS. 

Vale ressaltar que mesmo as mulheres vacinadas devem continuar fazendo o Papanicolaou, já que existem tipos de vírus não contemplados pela vacina que também podem provocar o tumor.

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