Saúde

Associação Brasileira de Psiquiatria diz não haver evidências suficientes que comprovem os benefícios do uso medicinal da cannabis

Em nota, especialistas da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide (APMC) rebatem o conteúdo da ABP

Associação Brasileira de Psiquiatria diz não haver evidências suficientes que comprovem os benefícios do uso medicinal da cannabis
Associação Brasileira de Psiquiatria diz não haver evidências suficientes que comprovem os benefícios do uso medicinal da cannabis

Por João R. Negromonte

No último dia 17 de julho, a Associação Brasileira de Psiquiatria publicou um posicionamento oficial de sua percepção sobre os usos de produtos derivados de cannabis. Segundo o documento, "não há nenhuma evidência científica convincente de que o uso de canabidiol, ou quaisquer dos canabinoides, possam ter qualquer efeito terapêutico para qualquer transtorno mental".

Ao mesmo tempo, o documento lembra que a adoção de substâncias psicoativas presentes na cannabis, como o THC e o CBD, causam dependência química, podem desencadear quadros psiquiátricos e piorar os sintomas de enfermidades já diagnosticadas.

O material tece também duras críticas ao veículos de mídia que "endossam estudos sobre os possíveis 'benefícios' da cannabis, corroborando para interpretações equivocadas e contribuindo para a impressão de que a maconha é um produto totalmente seguro e inofensivo para o consumo, sobretudo pelos mais jovens"

Para a ABP, este tipo de propaganda positiva em relação à cannabis, remete à época em que os cigarros de tabaco eram comercializados com chancela da mídia e por grande parte da comunidade médica, atendendo apenas a interesses financeiros de seus apoiadores. 

Contudo, a associação defende a continuidade das pesquisas sobre o canabidiol, composto derivado da planta que não possui propriedades psicoativas, isto é, que não causam efeitos sobre atividade psíquica ou mental. A ABP, reforça também a importância dos estudos e pesquisas sobre os efeitos colaterais e a probabilidade de dependência química dessa substância.  

Nota de esclarecimento da APMC 

Em manifestação ao posicionamento da ABP, a Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide (APMC), lançou uma nota de esclarecimento com a opinião de psiquiatras e neurologistas como Dr. Wilson Lessa S. Jr., Dr. Marcus Zanetti, Dra. Ana G. Hounie, Dr. Flávio Rezende e Dra. Raquel Peruybe, todos especialistas no tema. 

O documento oficial diz o seguinte: “os comitês científicos da APMC foram surpreendidos e alarmados por artigo intitulado ‘Position statement of the Brazilian Psychiatric Association on the use of cannabis in psychiatric treatment’ assinado por apenas dois autores, tratando-se de um artigo claramente enviesado por posições ideológicas e não científicas, sem menção a trabalho dos comitês científicos da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) ou mesmo uma simples consulta pública aos associados da ABP, de modo que parece refletir a posição de sua Diretoria, o que não representa um consenso da comunidade de psiquiatras a ela associados.”

Desse modo, a APMC explica que algumas distorções e aspectos errôneos, segundo a nota de esclarecimento, é uma forma de fomentar inverdades sobre o tema. A revisão feita por eles, ressalta que o documento da ABP conta apenas com a retificação de Kirkland et al (2022) - utilizada como base para a afirmação de que as evidências contidas ali são insuficientes para o uso clínico dos canabinoides no tratamento de transtornos mentais - deixando estudos importantes de fora da cartilha. 

Os especialistas avaliam ainda ponto a ponto do material da Associação Brasileira de Psiquiatria, rebatendo afirmações contidas ali com estudos, pesquisas e se posicionando diante das afirmações a respeito dos usos medicinais da cannabis. 

Confira a nota de esclarecimento da APMC acessando o link abaixo:

Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide