EUA: Mortes por overdose é 25% menor onde cannabis é permitida

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No ano de 2018, 72 mil americanos morreram de overdose por uso de drogas e remédios opioides. O número é 10% maior do que o registrado no ano anterior e as autoridades locais já chamam o problema de “grande emergência nacional” de saúde pública. Opioides são analgésicos derivados da papoula, flor usada para produzir ópio e heroína. São muito potentes, e costumam ser usados em pacientes com fraturas ou câncer. Também são altamente viciantes. 

Os pesquisadores da área dizem que os viciados nesse tipo de droga podem ser desde um veterano de guerra, que convive com muitas dores no corpo e crises de angústia, até jovens que buscam experiência psicoativa a partir de injeção ou inalação de heroína.

A relação entre o vício em opioide e o papel da maconha para o tratamento de dores crônicas foi assunto abordado no painel do executivo George Allen, presidente da Acreage Holdings, empresa canadense responsável por operações de cultivo, processamento e distribuição de cannabis nos Estados Unidos.

Ele falou na convenção SXSW, South by Southwest, uma espécie de feira gigante que tem a inovação e a criatividade como dois dos principais pilares. Colaboradores do Sechat estiveram na SXSW e enviaram para a redação as informações sobre o conteúdo apresentado. Allen contou que o tabu em relação ao assunto ainda é grande na América do Norte. “Para se ter uma ideia de como a questão é grave e ainda não resolvida, dos 2 milhões de cidadãos dos EUA encarcerados, 650 mil são condenados por algum crime relacionado ao tráfico da maconha”. Em 1971, esse número era de 300 mil”, comparou o empreendedor.

Allen focou na medicina e lembrou que a população de veteranos de guerra nos EUA é bastante relevante (são cerca de 21 milhões/2017) e que trata-se de um grupo de pessoas com sequelas graves por causa da experiência de violência vivida. “Pessoas que são facilmente tragadas para o vício em drogas pesadas para aliviar dores crônicas de traumas e surtos/crises de angústia (aperto no peito),” afirma.

Allen usa como base uma pesquisa do Instituto Johns Hopkins em parceria com o JAMMA Internacional Medicine que avaliou a procura de pacientes veteranos por maconha medicinal. São duas das instituições mais respeitadas para pesquisa médica em todo o mundo. E o estudo concluiu que nos estados americanos em que é legal usar maconha medicinal para controlar a dor crônica o número anual de mortes por overdose de drogas é 25% menor do que em estados onde a cannabis segue ilegal. Vale ressaltar que a regulamentação da maconha não é nacional nos EUA. Cada um dos 50 territórios tem autonomia para legislar sobre o tema.

O painel de Allen tratou de outros temas relacionados ao mercado da cannabis, mas a questão medicinal foi o que chamou a atenção do Sechat. Ao final, Allen falou sobre o Brasil e disse que a abordagem médica é o passo número um para se iniciar o mercado canábico no país. “O caminho científico e médico é sempre o melhor caminho para se pensar em regulação da maconha medicinal. Essa foi a experiência nos EUA e deu muito certo”, concluiu o empresário.

Abaixo, o link para o site da empresa presidida por Allen, Acreage Holdings:

https://www.acreageholdings.com/

Abaixo, o link para a primeira parte do estudo completo (em inglês, data 2015)

https://jamanetwork.com/journals/jamainternalmedicine/fullarticle/1898878

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