Diversidade e inclusão são pautadas no CT2021

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Rafael Acuri, Sérgio Rocha, Humberto J. Nogueira e Pedro Campos. (Foto: Divulgação)

Por João R. Negromonte

As discussões em torno de temas que abrangem a diversidade humana ganharam força especial nos últimos anos com a popularização do uso da internet. É inegável que essa ferramenta de comunicação global tornou possível a criação de novos espaços de discussão de questões fundamentais para a transformação da sociedade que, lamentavelmente, segue perpetuando opressões estruturais que precisam ser vigorosamente combatidas.

O fim das barreiras de distância e dos limites espaciais possibilitaram a ampliação da discussão em torno destes problemas, contribuindo para o fortalecimento das lutas, sobre as quais muitas pessoas passaram a ter conhecimento apenas depois que o debate foi trazido para as redes. Plataformas, dentre as quais destacam-se Facebook, Youtube e Blogs, tornaram-se canais de comunicação para coletivos, movimentos, institutos, entidades e indivíduos que disseminam informações e fomentam discussões antes limitadas aos espaços acadêmicos e ao âmbito dos movimentos sociais.

Quando analisamos as empresas inovadoras, vimos que elas costumam ter uma característica em comum: alto padrão ESG. Isso significa que elas levam a sério as práticas sociais, ambientais e de governança. Um exemplo disso foi o último Cannabis Thinking.

Segundo Alex Lucena, sócio e CIO da The Green Hub e um dos organizadores do evento, o Cannabis Thinking deste ano teve 44% de seus speakers mulheres, 16% entre negros e negras e 18% estrangeiros.

Felipe Paiva, Fernando Pensado, Iara Vicente e Guilherme Guardião. Painel abordou inovação, tecnologia, empreendedorismo, sustentabilidade e outros assuntos (Foto: Divulgação)

Entre o público LGBTQIA+, cerca de 20% participaram como palestrantes e ou convidados.

Ainda não é o ideal, mas estamos trabalhando para que o nosso evento seja cada vez mais plural e diverso!

Alex Lucena

Outro dado muito importante, foi que no último painel que abrangeu as startups do ramo canábico, houve participação de 12 parceiras, sendo 8 mulheres e 4 homens como empreendedores. O que mostra a força feminina neste meio ainda tão dominado por eles.

Uma delas foi Poliana Rodrigues, 31, fouder e CEO na Blazing Beauty Brasil e da Blum, empresas que tem como propósito, promover o cânhamo como ferramenta de bem estar. Formada em jornalismo, ela teve seu primeiro contato com a cannabis na universidade enquanto realizava uma pesquisa sobre contracultura.

Coincidentemente, alguns anos depois ela se descobriu paciente, tratando de sua dismenorreia (dor pélvica que surge normalmente no primeiro dia do período menstrual) com os componente presentes na planta, que se mostrou o tratamento mais efetivo em relação a outros tipos de medicamentos.

Em bate papo com o Sechat, Poliana responde questões sobre diversidade e inclusão, além de como enfrentou e conseguiu espaço nesse mercado. Acompanhe:

Sechat – Você acredita que o evento superou as expectativas, dentro de um contexto de diversidade ? Ou ainda falta muito pra alcançar uma igualdade de gênero, cor, etc, nesse meio? Ao seu ver, quais mudanças ainda precisam ser feitas para conseguirmos uma inclusão maior?

“O evento superou demais as minhas expectativas, ainda que não estamos em um cenário ideal, acredito que não podemos esquecer que qualquer minoria, qualquer pessoa que faz parte de um grupo que já foi oprimido em algum momento da história, que está em um evento do tipo do Cannabis Thinking, já é uma sobrevivente. Sobreviveu a violência estruturais, políticas, sociais, financeiras, dentre outras. E ver ali mulheres conquistando espaços de liderança, lugar de destaque e lugar de fala, temos que comemorar, sim, mas ainda há muito a avançar. Devemos pensar nisso como ponto de partida e exemplo para mudar esse cenário. E é colocando essas pessoas para falar e conquistar espaços, que fazemos a diversidade crescer cada vez mais e em cada edição”, diz Poliana.

Poliana Rodrigues, CEO na Blazing Beauty Brasil e da Blum

Sechat – Foi difícil pra você, como uma mulher, preta, entrar no mercado de trabalho da cannabis? Conte-nos um pouco.

“Quando a gente coloca realmente, raça e gênero na mesa, o jogo fica muito mais complicado, pois entramos em recortes muito específicos de violências que normalmente não são lidas como violência. No mercado da cannabis eu tenho um terceiro problema, que para além de mulher e preta, eu sou uma empreendedora que começou do zero. Eu não venho do big business, eu não tenho um lattes super extenso, mas mesmo assim eu tenho ideias e eu preciso validar minhas ideias. Então se fazer ouvida, sendo uma mulher, sendo preta, não tendo uma posição de cargo de liderança e mesmo assim ganhar destaque dentro do evento é algo que indica que as coisas estão mudando. Não existe o que as pessoas possam falar que invalide meu espaço aqui.” destaca a empreendedora.

Além disso, Lucena tem orgulho de dizer que todo ecossistema da cannabis estavam presentes ali naquele dia. Fazendo uma analogia, o evento é comparado com um hexágono social, onde os seis pilares foram representados pelas startups, o meio acadêmico, os investidores, setor corporativo, governo e a sociedade civil caracterizadas pelas associações. Esse dado representa a diversdade de todas as camadas sociais da cannabis, onde a união e a inclusão devem sempre se fazer presentes.

Felizmente, não faltam mais fontes de informação alternativas, combativas aos discursos hegemônicos que prevalecem nas relações cotidianas. Discursos esses que contribuem para a manutenção de um sistema que marginaliza, discrimina e violenta pessoas através de conjuntos de crenças e relações de poder como o racismo, o machismo e a homolesbobitransfobia. Por isso, iremos cada vez mais “bater nessa tecla”, pois quanto mais inclusão e diversidade, mais garantimos que os direitos de cada um sejam respeitados.

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